O julgamento dos envolvidos na morte do jornalista Tim Lopes começou com uma hora e meia de atraso, no 1º Tribunal do Júri no Rio de Janeiro. O processo foi desmembrado em plenário e dos cinco acusados, apenas três estão sendo julgados: Elizeu Felício de Souza, o Zeu, Reinaldo Amaral de Jesus, o Kadê ou Cabê, e Fernando Sátyro da Silva, o Frei. Os outros dois réus, Angelo Ferreira da Silva, o Primo e Claudino dos Santos Coelho, o Xuxa, serão julgados no dia 29 de setembro.
A posição divergente da defesa de Ângelo Ferreira em relação aos demais réus foi uma das causas do desmembramento do processo.
Inocentes Trabalhadores?
"Não sabia de nada. Não sei. Não vi. Sou um inocente trabalhador". As frases que o País já está cansado de ouvir nas Comissões Parlamentares de Inquérito estão se repetindo no julgamento do Caso Tim Lopes. O primeiro a falar foi Fernando Sátyro da Silva, 28 anos, que disse ser inocente das acusações da denúncia e que estava no dia do crime, num forró na casa de uma vizinha, no Morro da Caixa D´água. O traficante falou também que era pedreiro, bombeiro hidráulico e que havia trabalhado na Casas Sendas, entre 96 e 98. Ele tem uma condenação de seis anos e 100 dias por tráfico e associação ao tráfico. Sátyro comentou ainda não conhecer Reinaldo nem os outros acusados, embora morassem no mesmo morro. Ele foi preso, dois dias depois do crime, juntamente com Reinaldo.
Durante seu interrogatório, o acusado Reinado Amaral nada declarou. Disse apenas que era camelô e pedreiro e que a defensora falaria por ele. Eliseu, o terceiro a ser interrogado, disse que, no dia do crime, chegou para trabalhar numa oficina de borracharia às 7h30 e saiu às 18h, seguindo direto para casa, onde ficou até o dia seguinte. Também afirmou que trabalhava como ajudante de caminhão, mas não soube dizer qual era a transportadora. Ele declarou que não conhecia os outros réus e que mora em Ramos.
Os três acusados podem pegar uma pena de até 39 anos de reclusão. A defesa deles está sendo feita pela defensora pública Bernardete Espírito Santo. E a acusação, pelas promotoras públicas Viviane Tavares Henriques e Patrícia Glioche. Segundo a denúncia do Ministério Público, os três réus se encontravam no local do crime, agrediram o jornalista Tim Lopes e estavam prontos para qualquer colaboração.
Segundo o juiz presidente do 1º Tribunal do Júri, Fábio Uchôa, a previsão é a de que o julgamento termine hoje, quando o corpo de jurados, composto por cinco homens e duas mulheres, decidirá sobre a condenação ou absolvição dos acusados. Todos os acusados respondem por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e formação de quadrilha. No momento, está ocorrendo a leitura de peças do processo.
Fonte: Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro