O jornalista Lucio Vaz acaba de lançar o livro " A Ética da Malandragem - No submundo do Congresso Nacional", pela Geração Editorial. Na publicação, de leitura obrigatória para jornalistas e quem quer entender melhor o funcionamento do poder legislativo brasileiro, o autor mostra o lado subterrâneo do Congresso Nacional. Um cenário revoltante e criminoso - onde votos são vendidos, mandatos e legendas são alugados, o nepotismo rola solto, toma-se dinheiro de humildes funcionários, exige-se cargos e verbas, assaltam empresários (que aceitam as regras deste jogo sujo) e até trafica-se drogas. Para não citar o famigerado mensalão e o agenciamento de garotas para festinhas de arromba. Pobre cidadão brasileiro.

Apesar do jornalista retratar exclusivamente o ambiente do Congresso Nacional, sabemos que realidade semelhante pode ser encontrada, com facilidade, em várias assembléias legislativas estaduais e em milhares de câmaras municipais brasileiras.
É desse submundo que este livro trata. Desvenda verdadeiras quadrilhas que conspiram contra a cidadania, a sociedade e os cofres públicos. Seu autor, o jornalista Lucio Vaz, 47 anos, passou os últimos 20 anos de sua vida em Brasília, trabalhando basicamente para os jornais Folha de S. Paulo e Correio Braziliense. Suas reportagens - base para o pavoroso relato deste livro - tratam de temas sombrios, revoltantes.
Lucio Vaz investigou denúncias envolvendo deputados, senadores e governadores em 26 Estados. Da pequena e violenta Canapi, em Alagoas - de onde foi expulso por jagunços -; de Marabá, no Pará - onde políticos escravizavam meninos de oito anos -; de Porto Velho, em Rondônia - onde um senador acusado de envolvimento com o narcotráfico acabou fuzilado na véspera de uma eleição -; aos próprios ambientes do Congresso Nacional - onde se consomem 15 quilos de cocaína por mês -; Lucio Vaz vai enumerando histórias de arrepiar os cabelos.
Homenagem ao Malandro
É impossível ler o trabalho de Lucio Vaz sem cantarolar a "Homenagem ao Malandro", de Chico Buarque de Hollanda:
"Agora já não é normal
O que dá de malandro regular, profissional
Malandro com aparato de malandro oficial
Malandro candidato a malandro federal
Malandro com retrato na coluna social
Malandro com contrato, com gravata e capital
Que nunca se dá mal..."
Gaúcho de São Gabriel (RS), há 20 anos em Brasília, Lucio Vaz passou por diversas redações, especializando-se no jornalismo investigativo. Começou a cobrir o Congresso Nacional em 1985. Acompanhou a Assembléia Constituinte e as quatro últimas campanhas presidenciais. Trabalhou por 13 anos na Folha de S. Paulo, onde se aprofundou na cobertura do chamado "baixo clero" - deputados de pouca expressão política, que são geralmente manipulados pelos líderes dos partidos e pelos governos que se sucedem.