O técnico de som iraquiano, Walid Khaled, morreu atingindo por vários disparos no rosto, enquanto o cinegrafista, Haidar Qazem Nur, ficou ferido e foi levado a um hospital militar norte-americano. Os dois funcionários da Reuters foram atingidos ontem, domingo, enquanto tentavam cobrir um tiroteio em Bagdá, envolvendo insurgentes e forças dos EUA. Segundo testemunhas, os dois foram vítimas de disparos das tropas americanas.
A Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) pediu uma investigação das Nações Unidas para a morte de trabalhadores da mídia por forças norte-americanas no Iraque. Em carta endereçada ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, a FIJ afirmou que muitas das mortes não foram propriamente investigadas. "O número de assassinatos inexplicados de pessoal da mídia por militares dos EUA é intolerável", frisou Aidan White, secretário-geral da FIJ.

A FIJ acusou o Exército dos EUA de "incompetência, aventureirismo irresponsável e desrespeito cínico pela vida dos jornalistas, particularmente os iraquianos, que estão cobrindo os eventos no Iraque".
Pior que o Vietnã
Já morreram mais jornalistas no Iraque, desde que a guerra começou em março 2003, do que durante os 20 anos do conflito no Vietnã. A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) registra a morte de 66 pessoas que trabalhavam para veículos de comunicação.
Matança, prisões, agressões...
A RSF e o Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ) expressaram revolta e defenderam também a libertação imediata de um outro cinegrafista da Reuters preso pelo exército norte-americano. Em mensagem dirigida a John Abizaid, chefe do comando central das tropas norte-americanas no Iraque, a RSF pede a imediata libertação de Alí Omar Abrahem Al-Mashadani, cinegrafista da Reuters no Iraque, preso arbitrariamente desde 10 de agosto de 2005.
"Freqüentemente as tropas norte-americanas efetuam prisões de jornalistas sem apresentar justificativas", denunciam as duas organizações de defesa dos jornalistas, que expressaram preocupação com o crescente número de agressões, prisões arbitrárias e morte de jornalistas pelas tropas norte-americanas. "Os procedimentos utilizados no Iraque, pelas tropas norte-americanas, são inadmissíveis", afirmou a RSF.