Chorando de cofre cheio. O Brasil já está entre os dez maiores mercados de publicidade do mundo em faturamento. Em 2005, as empresas continuam registrando crescimento, devendo ultrapassar com facilidade a receita publicitária de 15 bilhões registrada em 2004. Todos os segmentos apresentaram crescimento significativo: Tv por Assinatura 30,06%, Revistas 20,69%, Televisão aberta 19,63%, Internet 15,42%, Jornal 13,27% e Rádio 10,68%.
Considerando que a inflação acumulada no ano de 2005 é de apenas 3,31% (segundo o INPC do IBGE), os empresários do setor têm muito a comemorar, situação inversa que vivem os jornalistas brasileiros.
Dados inquestionáveis
O Projeto Inter-Meios, uma iniciativa conjunta do jornal Meio & Mensagem e dos principais meios de comunicação, no sentido de levantar, em números reais, o volume de investimento publicitário em mídia no Brasil fornece, mês a mês, o total nacional desses investimentos, distribuído por região e por tipo de mídia. O levantamento do projeto, que é organizado pela consultoria Price Waterhouse, é uma referência sobre o negócio da mídia no Brasil e respalda, com sua credibilidade, tudo que se diz de importante sobre esse tema no país e no exterior.
Comendo peru e arrotando tutu
"Neste ano, os patrões não poderão se valer do argumento de que seus veículos passam por problemas financeiros, para evitar conceder aumentos reais de salários e outros benefícios para os jornalistas", alerta o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Para a entidade, a estratégia de "cachorro magro" utilizada pelos empresários cai por terra diante da rápida escalada do faturamento com publicidade - principal fonte de receita da mídia brasileira.
Na participação do bolo publicitário em 2005, o setor de televisão aberta, justamente o setor que mais protela o acordo com os jornalistas, continua reinando soberano. Sozinho, abocanhou 61,7% de toda a verba publicitária no período, cerca de 4,3 bilhões.
Sócios só no prejuízo
As negociações entre jornalistas e patrões prometem ser duras este ano. Os constantes enxugamentos das redações, associados às perdas salarias levaram à máxima de que o Brasil só conta hoje com dois tipos de jornalistas: o desempregado e o que trabalha por três e ganha pouco.
Boa$ Notícia$, só para as empresas
"O Jornalista" reproduz abaixo algumas notícias, divulgadas nos últimos dias, pelo jornal Meio&Mensagem, que não deixam nenhuma dúvida sobre as boa$ notícia$ para as empresas de mídia:
- A revista CartaCapital divulga crescimento de 77% na publicidade no mês de junho, em comparação com o mesmo período do ano passado.
- A Globopar, holding que controla as empresas do grupo Globo (com exceção da TV) anuncia que sua receita líquida no primeiro semestre de 2005 chegou a R$ 2,3 bilhões, valor 3,8% superior ao mesmo período do ano passado. O lucro líqüido na primeira metade do ano foi de R$ 798 milhões (contra um prejuízo de R$ 409 milhões nos primeiros seis meses de 2004).
A Net Serviços, operadora de TV por assinatura e internet banda larga, registrou um lucro acumulado de R$ 15,5 milhões no 1o semestre deste ano. Segundo a empresa, no segundo trimestre, o lucro líqüido registrado foi de R$ 20,5 milhões. Para se ter uma idéia, no segundo trimestre do ano passado a empresa havia registrado um prejuízo de R$ 76,7 milhões e um resultado negativo no primeiro semestre de R$ 154,5 milhões. A empresa comemora a redução de sua dívida de R$ 1,153 bilhão no segundo trimestre de 2004 para R$ 355,3 milhões no mesmo período deste ano.
A TVA apresenta seus resultados neste primeiro semestre de 2005. No período, a operadora alcançou lucro operacional (Ebitda) de R$ 45 milhões, resultado 25% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.