Sem dúvida, um dos maiores atentados à liberdade de imprensa no Brasil dos últimos anos. Na madrugada desta quinta-feira (08), um incêndio criminoso destruiu 80% do edifício do jornal Diário de Marília e das rádios Diário FM e Dirceu AM, localizado em Marília, interior do Estado de São Paulo. As emissoras tiveram seus equipamentos danificados e permanecem fora do ar; a equipe do jornal trabalha para fazê-lo voltar a circular no próximo sábado, com impressão em parque gráfico de terceiros. O site do jornal continua no ar.
O Atentado
O vigia Sérgio Silva de Araújo, de 39 anos, disse à polícia que durante a madrugada uma mulher morena aparentando cerca de 26 anos chegou e pediu informações de como enviar carta a um programa da rádio. Ao abrir a porta foi rendido por três homens encapuzados e armados com pistolas.
O edifício ficou praticamente destruído
Foto: jornal Diário de Marília
Amarrado, o vigia ainda levou uma coronhada, sem que tivesse esboçado nenhuma reação, provocando um corte abaixo do seu olho direito. Após atearem fogo ao edifício e deixarem o prédio, os criminosos deixaram o viga amarrado, que só não morreu queimado porque conseguiu se soltar e saiu do prédio para procurar ajuda.
Represália
"Não falamos em suspeitos, mas ficou claro que foi uma ação criminosa, um atentado contra a empresa e contra a linha editorial do jornal e das rádios, que tem postura crítica em relação aos fatos políticos e sociais de Marília", diz Rogério Martinez, editor assistente do Jornal Diário de Marília.
"Nosso contencioso é grande e muitas pessoas que tiveram os interesses contrariados poderiam estar por trás disso; descobrir quem é, é uma tarefa para a polícia. Nós estamos cuidando apenas de recuperar a casa e continuar a jornada", afirmou o editor.
A polícia abriu inquérito e investiga o crime, mas ainda não há informações sobre os autores do atentado. A polícia técnica recolheu possíveis provas e deverá emitir seu laudo nos próximos dias. Um Celta branco e uma Belina prata foram vistos nas proximidades por um guarda noturno, na hora em que o prédio do jornal e das rádios era incendiado.
Fonte: Diário de Marília