A China insiste em continuar sendo a maior prisão do mundo para jornalistas. Organizações de Direitos Humanos no país e Repórteres Sem Fronteiras (RSF) encaminharam hoje (09), uma carta ao ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, pedindo que aborde o caso do jornalista chinês preso Shi Tao e estimule as empresas do setor de Internet a respeitar suas obrigações no terreno dos direitos humanos.
O ex-presidente Bill Clinton será o principal orador na Conferência 2005 sobre Internet na China, que deverá ter início amanhã (10 de setembro), em Shangai, e que reunirá as principais empresas do setor de Internet.
A Conferência organizada por Alibaba.com, sócio chinês do Yahoo !, acontece poucos dias após a revelação de que a Yahoo! Holding (Hong Kong) Ltd. entregou informações que permitiram condenar a dez anos de prisão o jornalista Shi Tao, por ter “transmitido ilegalmente segredos do Estado ao exterior”. A Yahoo teria fornecido às autoridades chinesas a direção IP ou bloco de rede, que identificou o local onde Shi Tao postou a informação na Internet.
Os "segredos de Estado" vazados por Shi consistiram em um aviso de possível manifestação, por ocasião do décimo quinto aniversário do massacre de estudantes pró-democracia na Praça da Paz Celestial (1989).
"Já sabíamos que a Yahoo! colaborava com entusiasmo com o regime chinês em questões de censura. Agora também sabemos que é uma colaboradora da Polícia", assinalou a RSF em comunicado. "O fato de a companhia operar sob a legislação chinesa não a libera das considerações éticas", defendem as organizações.
O jornalista Shi Tao, de 37 anos, foi condenado em abril a 10 anos de prisão por revelar "segredos de Estado", segundo as autoridades chinesas, e o texto da sentença demonstra que a Yahoo Holdings, com base em Hong Kong, facilitou sua identificação.
A mãe do jornalista enviou uma carta à ONU, há duas semanas, explicando as irregularidades sofridas por seu filho durante o julgamento: o tribunal se negou a escutar os argumentos da defesa, a aceitar o testemunho do acusado e negou o direito de apelação em um julgamento a portas fechadas, contra a lei chinesa.
Yahoo! e a censura chinesa
"A versão chinesa do buscador Yahoo ! é censurada. Quem busca no país qualquer informação, por exemplo, sobre a "independência de Taiwan" em chinês, não encontra nenhum resultado", denuncia a RSF.
O gigante norte-americano tem feito investimentos pesados na China, visando controlar o mercado chinês. A organização RSF escreveu várias vezes para os dirigentes do Yahoo !, para alertar sobre os problemas éticos de seus investimentos na China, mas as cartas nunca foram respondidas.