A "casa" começa a cair. Amauri Delábio Campoy, 47, serralheiro, foi preso ontem (09), como o primeiro acusado pelo envolvimento no incêndio criminoso que destruiu o prédio onde funcionam o jornal Diário e as rádios Dirceu AM e Diário FM de Marília.
O delegado seccional Roberto Terraz disse, após a prisão do suspeito, que é cedo para definir o motivo para o crime, mas cresce a suspeita de envolvimento político motivado pelas críticas e reportagens investigativas do jornal envolvendo “pessoas conhecidas na cidade”.
Campoy também seria dono de um clube de carteado clandestino que funciona no centro da cidade de Marília.
Confissão
Além de confessar o crime, ele informou que receberia R$ 10 mil para participar no atentado. Já há diversos nomes a serem investigados, mandados de prisão expedidos, um contratante identificado e falta pouco para chegar ao mandante do atentado, segundo informações da polícia.
Campoy foi preso por volta das 13h30 de ontem, em uma grande operação policial que contou com uma perseguição na rodovia SP-294. Estava na garupa de uma moto pilotada por um parente e tentava escapar do cerco formado pelas polícias civil e militar.
Ele foi identificado a partir das imagens gravadas pelo circuito interno de vídeo do jornal. Prestou depoimento durante 40 minutos na Delegacia Seccional, com acompanhamento do advogado, e forneceu detalhes do crime. O veículo Belina, visto nas proximidades do edifício durante o atentado é dele.
O suspeito confirmou que a quadrilha era composta por mais dois homens e pela mulher que distraiu o recepcionista para facilitar a entrada dos bandidos na empresa.
Após prestar o depoimento, ele foi submetido a exame de corpo de delito e encaminhado para a cadeia de Garça (SP).
Garra Jornalística
Mesmo com o atentado ao prédio do grupo CMN, o jornal Diário continua a circular e o site do jornal não saiu do ar. A edição de ontem trouxe informações detalhadas sobre o incêndio criminoso que destruiu totalmente a rádio FM e parcialmente a rádio AM e redação do jornal. A proeza, de toda a equipe, merece elogios.
Para o diretor de jornalismo José Ursílio, o trabalho eficiente das polícias pode permitir uma situação tão inédita quanto o atentado: o desmanche de uma grande quadrilha que funciona sob fachada de cidadãos comuns ou figuras exemplares.
Fonte: Diário de Marília