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03/10/2005
Assessoria de Imprensa ou do Cliente?
 

Vera Lucia Rodrigues*

 

Muito se fala sobre o crescimento de uma atividade empresarial denominada assessoria de imprensa. Fala-se muito sobre números, mercado, clientes, mas pouco se tem falado sobre profissionalização, senso de responsabilidade e ética.

Didaticamente, se nos reportarmos à origem da expressão encontraremos o primeiro conflito de interesses. Semanticamente, devemos entender que a atividade teria como pressuposto básico um atendimento e uma assessoria ou facilidade para a imprensa, ou seja, para os jornalistas que estão do outro lado das redações, aqueles que editam e fazem as reportagens no dia-a-dia das redações. Só que o que mais esses jornalistas têm visto é uma assessoria do cliente.

É inegável que uma assessoria de imprensa bem feita, seja ligada ao governo, a iniciativa privada ou a um grupo de empresários em torno de uma entidade de classe pode gerar boas matérias para os profissionais da imprensa e, mais ainda, agregar informações de uma maneira sistematizada e organizada com vistas a facilitar um bom trabalho de apuração e cobertura por parte de revistas segmentadas ou não, jornais, telejornais ou radiojornais.

O fato é que o crescimento desse mercado não foi acompanhado por um paralelo aprofundamento dos profissionais envolvidos na área, salvo raras e honrosas exceções. O que se verifica hoje é uma necessidade cada vez maior por parte das empresas formatarem a sua imagem ou até mesmo apresentarem seus novos produtos, exportações, ampliação, investimentos, novos planos de qualidade através de um trabalho organizado de fazer chegar essas notícias às redações. De outro lado, verifica-se um número cada vez menor de profissionais que estejam consoantes com essa nova realidade jornalística do País.

Os jornalistas estão fartos de receberem telefonemas de pessoas despreparadas em horário de fechamento, ou ainda informações fragmentadas que pouco ou quase nada tem a ver com as suas editorias respectivas. Verifica-se também textos recheados de adjetivos e qualificações mais adequados a uma agência de propaganda do que a um trabalho sistemático de uma assessoria de imprensa. E, não raras vezes o mesmo texto que é enviado a revistas femininas, é remetido ainda para revistas sobre mecânica. Profissionais da área concluem que, as mesmas pesquisas que apontam para o crescimento desse mercado, indicam a necessidade de um aprofundamento maior dos profissionais envolvidos.

Formação em jornalismo, cursos profissionalizantes, workshops, leitura, participação em feiras, congressos e, mais do que tudo, respeito aos jornalistas e às características específicas dos seus veículos de atuação são ingredientes indispensáveis para o bom desempenho da função.

Da mesma forma que uma cirurgia não pode ser realizada por um historiador, assessoria de imprensa é tarefa do ofício de jornalismo. Os clientes  estarão bem atendidos com o respeito que a sua assessoria de imprensa suscitar dentro dos jornalistas envolvidos nas redações. Respeito esse que só poderá ser obtido através de uma postura ética e responsável perante aos veículos onde for oportuna a publicação das notícias dos seus clientes. Uma assessoria de imprensa só pode ser considerada eficaz e gerando bons resultados, se levar em conta a equação cliente x jornalista, sabendo se posicionar e levando informações que possam atender à formação da imagem do seu cliente, mas, antes de tudo, ter pertinência e atender ao interesse das pautas dos jornalistas.

Resolver essa questão requer prática, habilidade, conhecimento e, acima disso, inteligência. Com esses requisitos acredito que qualquer assessoria de imprensa possa equacionar a questão inicial desse artigo, ou seja, ser uma assessoria de imprensa e do cliente, fazendo que com os interesses de um possam ajudar a atender às necessidades do outro.

*Vera Lucia Rodrigues é mestre em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade São Paulo e diretora da Vervi Assessoria e Comunicações

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