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18/10/2005
Lúcio Flávio vence prêmio da Liberdade de Imprensa
 

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) vai outorgar os Prêmios Internacionais da Liberdade de Imprensa para três jornalistas e uma advogada de mídia – do Brasil, China, Uzbequistão e Zimbábue – que enfrentaram espancamentos, ameaças, intimidações e prisão por seu trabalho.

Entre os laureados figura o jornalista brasileiro Lúcio Flávio Pinto, que será premiado durante o 15º jantar anual de premiação do CPJ no Waldorf-Astoria em Nova York, em 22 de novembro.

O CPJ ao divulgar os ganhadores afirmou que "Lúcio Flávio Pinto trabalha na isolada região amazônica do Brasil, um dos locais mais perigosos da América Latina. Como proprietário e editor do Jornal Pessoal, no estado do Pará, no norte do país, ele cobre uma área que é quase duas vezes o tamanho do Texas e é o lar de fazendeiros corruptos e especuladores de terra.

Ele tem informado sobre o tráfico de drogas, a devastação ambiental e a corrupção política e empresarial. Em retorno, tem sido ameaçado e submetido a uma onda de processos espúrios. Um poderoso proprietário de mídia local, que também é político, agrediu Pinto em um restaurante em janeiro, com socos e chutes. Os guarda-costas do agressor deram cobertura durante o ataque.

Escrevendo colunas e dirigindo coberturas em seu pequeno jornal quinzenal, Pinto desafiou a dominação de um proeminente grupo de mídia. Em retaliação, os diretores da empresa lançaram uma enxurrada de processos legais contra ele.

Juizes, políticos e empresários também entraram com ações civis e criminais contra Pinto, que já expôs a grilagem de terra rica em madeira nobre por corporações, assim como a corrupção envolvendo títulos de terra".

Outros ganhadores

Os outros três ganhadores são: Galima Bukharbaeva, ex-correspondente no Uzbequistão do Institute for War & Peace Reporting (Instituto de Informação para a Guerra e a Paz), arriscou sua vida cobrindo o assassinato, pelas tropas do governo, de centenas de manifestantes na cidade de Andijan, em maio. Bukharbaeva, agora exilada nos Estados Unidos, enfrenta processos criminais por suas reportagens sobre a crise de Andijan, a tortura policial, e a repressão a ativistas islâmicos;

Beatrice Mtetwa, advogada especializada em mídia, é uma incansável defensora da liberdade de imprensa no Zimbábue, onde a lei é usada como arma contra jornalistas independentes. Apesar de ter sido presa e agredida por seu trabalho, ela continua defendendo jornalistas correndo grande risco pessoal. Ela conseguiu a libertação de vários jornalistas que enfrentavam acusações criminais, incluindo dois repórteres londrinos presos durante a fortemente controlada eleição presidencial em abril e

Shi Tao, jornalista free-lance para publicações da Internet e editor do Dangdai Shang Bao, um jornal de economia chinês. Seus ensaios sobre reforma política, publicados em sites de notícias fora da China, atraíram a ira das autoridades. Cumprindo atualmente uma pena de 10 anos de prisão por "vazar segredos de Estado para o exterior", a trajetória de Shi realça os intensos esforços chineses para controlar a informação na Internet.

O CPJ também vai homenagear o falecido âncora da ABC News Peter Jennings com o Burton Benjamin Memorial Award por toda uma vida de renomadas realizações. Jennings soube do prêmio poucas semanas antes de sua morte, em agosto.

Durante 41 anos como correspondente e âncora, Jennings cobriu quase todos os momentos históricos marcantes em cada canto do mundo, obtendo uma reputação de independência e excelência.

"Esses indivíduos nos inspiram a todos", disse Paul Steiger, presidente da diretoria do CPJ e editor-executivo do The Wall Street Journal. "Enfrentando grandes perigos, eles mostraram extraordinária bravura, tenacidade, e dedicação em defender o livre trânsito de informações".

A diretora-executiva do CPJ, Ann Cooper, afirmou que "todos os premiados arriscaram suas vidas e sua liberdade para contar a verdade sobre políticos, empresários, e crime. Por seu trabalho, esses jornalistas foram atacados de várias maneiras por pessoas poderosas determinadas a esconder suas ações".

O jantar anual de premiação será presidido por Leslie Moonves, presidente da CBS. Clarence Page, ganhador do prêmio Pulitzer, colunista do Chicago Tribune e membro da diretoria do CPJ, será o anfitrião da cerimônia de premiação.

Fonte: CPJ

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