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21/10/2005
Condenado o último acusado da morte de Tim Lopes
 

A Justiça condenou, na noite de ontem (20), Ângelo Ferreira da Silva, o Primo, último acusado de envolvimento no assassinato do jornalista Tim Lopes, a nove anos e quatro meses de prisão por homicídio triplamente qualificado e formação de quadrilha. O júri - composto por três mulheres e quatro homens - foi presidido pelo juiz Fábio Uchôa. O Ministério Público e a defesa do acusado dispensaram todas as testemunhas.

Ao ser interrogado, Ângelo Ferreira, 22 anos, negou os depoimentos anteriores e os fatos narrados na denúncia. Disse que não sabia o motivo de ter sido incluído neste crime. Afirmou também que não conhece os demais réus e que não levou Tim Lopes de carro até o local onde foi executado, tendo sido, inclusive, absolvido do crime de roubo do Pálio e que a única vez que prestou depoimento foi sobre este caso. Ele, no entanto, foi condenado pela 8ª Câmara Criminal, em 2003, pelo crime de roubo triplamente qualificado.

Ajudante da obra macabra

O traficante prosseguiu o interrogatório, dizendo que era solteiro, carioca e que morava com a mãe e o padrasto, na ocasião do crime. Ele falou também que trabalhava com o padrasto como ajudante de obras e ganhava R$ 30,00 por semana.

Como Ângelo, em declarações anteriores, havia atuado como testemunha contra outros membros da quadrilha acabou tendo sua pena atenuada.

Condenados

Além de Ângelo, todos os outros acusados da morte de Tim Lopes já foram julgados e condenados: Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco (28 anos e seis meses de reclusão); Cláudio Orlando do Nascimento, o Ratinho; Elizeu Felício de Souza, o Zeu; Reinaldo Amaral de Jesus, o Cadê; Fernando Sátyro da Silva, o Frei; e Claudino dos Santos Coelho, o Xuxa, todos a 23 anos e seis meses de prisão.

O jornalista Tim Lopes desapareceu em 2 de junho de 2002, quando fazia reportagens investigativas para a TV Globo sobre bailes funk financiados pelo tráfico de drogas, na Favela Vila Cruzeiro, onde haveria consumo de drogas e sexo explícito com menores. Ele foi morto no dia seguinte, na Favela da Grota, no Complexo do Alemão, Zona Norte, sob as ordens do traficante Elias Maluco. Lopes foi esquartejado e queimado em pneus.

Dos nove indiciados pelo assassinato, dois morreram: André da Cruz Barbosa, o André Capeta, e Maurício de Lima Matias.

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