Até a semana passada, a coordenação da Assessoria de Imprensa da Câmara de Vereadores de Joinville (SC) era ocupada "por uma jovem de 19 anos de idade e que acaba de concluir o segundo grau". A descrição, dada pela jornalista Liziane Rodrigues do Diário Catarinense, à Marina Fuzinato Bini, filha do vereador Luiz Bini (PSDB), revela o perfil da jovem nomeada para a função. Bini recebia R$ 2,1 mil para coordenar uma equipe de nove pessoas no setor de comunicação.
O caso veio à tona depois que os vereadores joinvilenses derrubaram um projeto de lei que proibia o nepotismo. E revela o quão despreparados podem estar muitos assessores de comunicação do setor público, que ingressam na área sem concurso e sem formação profissional.
Virando moda?
Mas, o caso de Joinville não é o único do país. Desde janeiro de 2005, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo enfrentam outro caso semelhante. As entidades encaminharam carta à Câmara de Vereadores de Piracicaba, no interior do Estado de São Paulo, pedindo que fosse revista a contratação de uma profissional não-jornalista para a chefia do Departamento de Comunicação daquele legislativo municipal, sem sucesso. A engenheira nomeada para o cargo é filha de um vereador da cidade e continua na função.
Os Sindicatos de Jornalistas e a FENAJ, com a recente decisão do Tribunal Regional Federal de São Paulo, que recuperou a obrigatoriedade do diploma para o exercício profissional, estudam a possibilidade de denunciar os casos ao Ministério Público e aos Tribunais de Contas.
Fonte: Redação com Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina