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18/11/2005
Jornalistas expulsos de coletiva com ministro
 

O Ministério da Educação que adora autorizar cursos de Jornalismo pelo país, parece não gostar tanto assim dos jornalistas. Na última quarta-feira (16), três colegas foram impedidos de participar de uma coletiva do ministro Fernando Haddad.

O Ministério que não se cansa de autorizar a abertura de cursos de Jornalismo no País, deveria ser o primeiro a dar o exemplo e só ter em sua assessoria de imprensa profissionais com formação específica para a área.

Moratória e Respeito Já

O ministro Fernando Haddad precisa ser alertado que a categoria exige respeito e moratória para a instalação de novos cursos de Jornalismo no País, principalmente na Região Sudeste. As entidades de defesa dos jornalistas brasileiros têm feito a sua parte, mas o Ministério continua insensível.  

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal emitiu Nota Oficial sobre o lamentável episódio, leia abaixo:

NOTA OFICIAL

A transparência parece não ser o forte da equipe do ministro da Educação, Fernando Haddad. Na entrevista coletiva que o ministro concedeu à imprensa na manhã de hoje (16/11), três jornalistas foram impedidos de participar sob a alegação de que não eram profissionais da imprensa.

Os repórteres André Castro, da assessoria de imprensa da UnB, Luciana Bezerra, da assessoria de imprensa do Comando Nacional de Greve dos docentes das Instituições Federais de Ensino Superior, e Carla Lisboa, da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), foram constrangidos e humilhados, diante de vários colegas da imprensa comercial, pela coordenadora de imprensa do MEC, Vera Flores. "É uma coletiva à imprensa e por isso vocês não podem participar", disse ela, de forma grosseira e com o tom da voz alterado.

Questionada sobre a decisão, Vera Flores disse que só estava cumprindo ordens. Os jornalistas tiveram de esperar do lado de fora os colegas da imprensa comercial saírem da entrevista para poder obter informações. "Hoje de manhã liguei para o Ministério e perguntei à assessoria se repórteres da imprensa sindical poderiam participar da coletiva, já que o ministro iria falar sobre os pontos conflitantes e impasses da negociação entre governo e docentes das universidades públicas federais em greve. A resposta que tive foi a de que poderia participar. Por isso estou aqui", disse Carla Lisboa.

"Isso é um absurdo. Só na ditadura militar vimos isso no Brasil! Estamos impedidos de apurar a matéria porque conhecemos profundamente o assunto e o ministro não quer correr o risco de ter de responder perguntas que o deixem em má situação diante da imprensa", disse o jornalista André Costa. Ele foi expulso do Salão de Cristal, onde já estava instalado para cobrir o evento. Em seu desabafo, o repórter lembrou os tempos da ditadura, quando os generais e seus auxiliares escolhiam os jornalistas para os quais iriam conceder entrevistas.

Lamentavelmente, para frustração da sociedade, o cerceamento à informação tem marcado o governo Lula. Os servidores, especialmente, aqueles que trabalham nas assessorias de comunicação não podem discriminar os companheiros de profissão, sob pena de atestarem a falta de transparência nas ações do governo.

Nos dois primeiros anos do mandato de Lula, para poder obter informações do governo, jornalistas do Distrito Federal tiveram de recorrer ao Sindicato da categoria para, numa ação conjunta, garantir o direito de exercer a profissão com dignidade.

O presidente da República só concedeu uma entrevista coletiva à imprensa na metade do mandato, depois de muita insistência e reclamação dos profissionais. Ontem, o autoritarismo e a falta de respeito foram revelados no Ministério da Educação.

Brasília, 17 de novembro de 2005
Romário Schettino
Presidente do SJPDF

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