O presidente Bush planejou atacar a Al Jazira? A pergunta que não quer calar, segue gerando muita inquietação. A organização Repórtes Sem Fronteiras (RSF) declarou estar muito preocupada com a matéria publicada na semana passada, no diário britânico "Daily Mirror", contendo a transcrição de conversas entre Bush e Blair em abril de 2004. Na conversa, Bush teria dito a Blair que estava pensando em ordenar um ataque à sede da Al Jazira, em Doha, no Catar, mas o primeiro-ministro britânico teria conseguido dissuadir o presidente norte-americano.
"Não nos atrevemos a acreditar realmente que o presidente norte-americano tenha feito essas manifestações. Seria extremamente grave e representaria um grande atentado, sem precedente, ao direito de todos à informação", declarou a RSF.
"Bombardear um órgão de imprensa, qualquer que seja e em tempo de paz, seria incompreensível e inaceitável. Queremos que o assunto se esclareça, o mais rapidamente possível. Pedimos a todas as partes envolvidas que dêem demonstrações de total transparência", afirma a RSF.
"Por outro lado, nos surpreende a decisão das autoridades britânicas de proibir a imprensa de publicar informações sobre o documento que foi classificado como ultra-secreto. Invocar uma lei de 1989 sobre segredos oficiais, e ameaçar os jornalistas de levá-los aos tribunais, gera preocupação em um país habitualmente muito respeitoso com a liberdade de imprensa", protestou a Organização.
Um porta-voz do governo britânico declarou não ter nada a dizer sobre o assunto. Em uma mensagem à Agência France-Presse (AFP), a Casa Branca assegurou que a informação é "inconcebível".
Como resultado das pressões recebidas pelo Daily Mirror do governo britânico, o diário aceitou não continuar publicando informações sobre o tema. Outros diários, como o Guardian e o Times, asseguraram que também foram ameaçados com ações judiciais. Segundo a imprensa britância, invocar a lei dos segredos oficiais (1989) representa uma "ameaça sem precedentes". Duas pessoas estão denunciadas , acusadas de vazarem o documento contendo os supostos diálogos para a imprensa. O processo corre sob segredo de justiça.
Por sua parte, o canal por satélite afirmou que se a notícia for correta "será inquietante e surpreendente, e despertará sérias dúvidas sobre as versões norte-americanas sobre os incidentes anteriores, envolvendo os ataques contra o canal", disse a Al Jazira.
As instalações do canal foram bombardeadas por forças norte-americanas em 12 de novembro de 2001 em Kabul, e em 8 de abril de 2003 no Iraque.
Al Jazira exige explicação
Uma executiva da emissora, Wadah Khanfar, informou à rádio BBC que entregará uma carta ao gabinete de Blair para solicitar uma audiência com o primeiro-ministro para falar sobre o assunto. "A Al Jazira está na vanguarda da liberdade e da democracia no mundo árabe. Portanto, as notícias que ouvimos são muito preocupantes", disse. "Nós exigimos uma explicação adequada e gostaríamos de conhecer o teor desse documento." Khanfar disse que a Al Jazira também exigiu explicações do governo dos EUA.
A Casa Branca, que acusa a Al-Jazira de servir como palanque de extremistas islâmicos, segue negando que Bush tenha pensado em bombardear a emissora.