A explosão de um carro bomba, na manhã de hoje, atingiu o automóvel que transportava o deputado e jornalista libanês Gebran Tueni, co-proprietário do jornal “An-Nahar”. O atentado ocorrido em Beirute matou mais três pessoas e deixou dezenas feridas.
Tueni denunciou várias vezes o envolvimento da Síria no atentado contra Hariri, e acusou especificamente o presidente do Líbano, Émile Lahoud, e seu grupo pelo atentado que matou o ex-primeiro-ministro libanês, Rafic Hariri, em fevereiro. Casado duas vezes e com quatro filhos, Tueni foi eleito deputado nas eleições de julho último. A Síria, por meio de sua agência de notícias oficial Sana, condenou o atentado e o classificou de "ato estúpido".
A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) afirmou estar horrorizada e profundamente triste pelo assassinato. "A determinação dos assassinos não conhece limites. Depois de Samir Kassir, que mataram em junho, e May Chidiac (jornalista do canal de televisão estatal LBC, que perdeu uma perna e um braço em um atentado em setembro), o Líbano perdeu hoje uma de suas maiores figuras do jornalismo. Enquanto os assassinos não forem identificados e punidos, não cessaremos de exigir o esclarecimento do caso”, declarou a organização.
O Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ) também condenou o assassinato de Gebran Tueni, a quem classificou de crítico da Síria e de suas políticas no Líbano. "Este ataque é uma agressão à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa. Convocamos as autoridades libanesas e a comunidade internacional para colocar um fim nestes ataques contra a imprensa e na impunidade dos seus autores", afirmou o CPJ.
O atentado ocorreu poucos dias antes de o chefe da comissão internacional que investiga o assassinato de Hariri, o promotor alemão Detlev Mehlis, entregar seu relatório definitivo ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
Em seu segundo relatório preliminar à ONU, Mehlis apontava a hipótese de que os secretos serviços sírios e parte da inteligência libanesa estivessem envolvidos no atentado.