China, Cuba, Eritréia e Etiópia encabeçam a relação dos países que mantêm o
maior número de jornalistas presos. Juntas, estas quatro nações representam dois
terços dos 125 editores, redatores e repórteres fotográficos presos em todo o
mundo, segundo uma nova análise do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).
Os Estados Unidos, que retêm vários jornalistas em centros de detenção no
Iraque e na Base Naval de Guantánamo, em Cuba, subiu para o sexto lugar da
relação de países com mais jornalistas presos, logo após o Uzbequistão e junto
com Myanmar, determinou a pesquisa do CPJ.
Os argumentos mais usados para prender jornalistas foram os de cometer
delitos contra o Estado, como subversão, divulgar segredos de Estado e realizar
atos contra os interesses do país. Setenta e oito jornalistas foram acusados de
tais delitos, processados e encarcerados, a maioria deles pelos governos da
China e de Cuba.
A ofensiva que o governo etíope iniciou contra a imprensa nacional em
novembro incrementou o número de jornalistas aprisionados em todo o mundo,
segundo as estatísticas do CPJ sobre casos de jornalistas que estavam
encarcerados em 1º de dezembro de 2005. A cifra supera, em três prisioneiros, o
resultado do censo realizado pelo CPJ em 2004. Um total de 24 países prendeu
jornalistas em 2005, um aumento se comparado com as 20 nações registradas na
pesquisa de 2004.
"Alarmante constatar um aumento do número de jornalistas presos e, em
particular, nos inquieta que a relação de países, desta vez, inclua Etiópia e
Estados Unidos", declarou Ann Cooper, diretora-executiva do CPJ. "Os jornalistas
que cobrem temas como conflitos, agitações sociais, corrupção e direitos humanos
enfrentam um risco cada vez maior de serem encarcerados em países cujos governos
tentam ocultar, com o manto da legitimidade, os seus atos repressivos". afirmou
Cooper.
Campeã absoluta
Pelo sétimo ano consecutivo, a China figura como o país com maior número de
jornalistas presos no mundo, com 32 detidos. Destes, 15, quase a metade, são
jornalistas de Internet. Em mais de 75 por cento dos casos o governo chinês os
acusou de cometerem "delitos contra o Estado", definidos de um modo extremamente
impreciso.
Cuba ocupa o segundo lugar na lista, com 24 jornalistas encarcerados, a
maioria deles detido durante a maciça ofensiva governamental de março de 2003
contra a oposição e a imprensa independente. A Eritréia ocupa o primeiro lugar
entre as nações africanas, com 15 jornalistas presos, muitos dos quais estão
incomunicáveis em cárceres secretos por razões não esclarecidas pelo governo,
segundo as investigações do CPJ.
O governo da vizinha Etiópia prendeu 13 jornalistas, numa tentativa de
esmagar toda a dissidência, em um clima de agitação social no mês de novembro. A
polícia etíope impediu a publicação da maioria dos jornais particulares; invadiu
redações; e confiscou computadores, documentos e outros materiais. Também
divulgou uma lista de editores, escritores e dissidentes que deveriam ser
capturados.
O Uzbequistão ocupou o quinto lugar, com seis jornalistas presos. Myanmar e
Estados Unidos estão na seqüência, com cinco jornalistas presos cada um. As
forças norte-americanas no Iraque retiveram quatro jornalistas, enquanto outro
se encontra na Base Naval de Guantánamo.
Clique aqui e veja a íntegra da relação de jornalistas presos
elaborada pelo CPJ.