A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e o Sindicato dos Jornalistas do Espírito Santo condenaram a atitude do desembargador Sérgio Gama, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, que determinou, no dia 19 de dezembro, a destruição de documentos comprobatórios do grampo ilegal realizado em veículos de comunicação da Rede Gazeta. Segundo as entidades, o desembargador "ignorou orientação da Procuradoria Geral da República", e prosseguem reivindicando a federalização das investigações sobre o crime.
Sérgio Gama é o relator do processo que apura a morte do juiz Alexandre Martins Filho, ocorrida em 2003. Ele justificou que determinou a destruição dos CDs com as gravações da escuta ilegal nos telefones da Rede Gazeta e de algumas folhas por solicitação da direção da empresa, sob a alegação de que o material não tem relação com o assassinato. Questionado por jornalistas, ele disse que não recebeu orientação em contrário da Procuradoria Geral da República.
A presidente do Sindicato dos Jornalistas do Espírito Santo, Suzana Tatagiba, afirmou que "não entende como o desembargador pode não ter recebido se, quando estivemos em Brasília, o chefe de gabinete da Procuradoria Geral da República, Marcius Correia Lima, garantiu que o pedido de acautelamento das provas foi encaminhado, inclusive mostrando o documento para mim e para o presidente da FENAJ".
Para a sindicalista, o fato tem que ser esclarecido. Ela assegurou que as entidades dos jornalistas prosseguirão reivindicando a federalização das investigações. "O grampo foi um crime grave não só contra a Rede Gazeta, mas principalmente contra os jornalistas. Por isso nós vamos continuar pressionando para que as responsabilidades sejam apuradas", justificou.
Fonte: FENAJ