O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento divulgou hoje (6), nota oficial classificando como leviana a reportagem do jornal inglês Daily Telegraph que acusa o Brasil de exportar para a Grã-Bretanha carne proveniente de fazendas que usam trabalho escravo. "Trata-se de uma acusação leviana e reflete mais uma vez o protecionismo agrícola de países incomodados com a expansão do agronegócio brasileiro", afirma a nota.
A reportagem, com o título "Carne barata brasileira é subsidiada por trabalho escravo", foi reproduzida ontem (5) no site da BBC Brasil. Nela, há o relato do autor de um estudo, que teria visitado fazendas brasileiras para avaliar as condições sociais da produção de carne e das crescentes exportações de carne do Brasil que, segundo o jornal, estão prejudicando os preços mundiais. O fazendeiro escocês David Ismail é o autor da pesquisa, financiada pela organização Nuffield Foundation.
Chaga Social
O Ministério da Agricultura não nega, na nota, o uso de trabalho escravo nas fazendas de produção pecuária no país, mas afirma que o governo está permanentemente preocupado em combatê-lo.
O ministério cita relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que reconhece o programa brasileiro de combate ao trabalho escravo como o que mais avançou no mundo na erradicação desse tipo de crime. "Afirmar que a carne brasileira seria barata por conta de suposto trabalho escravo não tem a menor correspondência no cenário agrícola brasileiro", afirmou a nota.
Na visão do Ministério da Agricultura, as afirmações que constam na reportagem do jornal britânico têm caráter protecionista, ou seja, teriam a intenção de provocar uma reação comercial à carne brasileira.
O ministério argumenta ainda que o boi brasileiro é criado no pasto, é orgânico e não se alimenta de ração à base de farinha de carne, como é o caso do gado europeu. "A pecuária aqui utiliza mão-de-obra especializada e ainda é beneficiada pela riqueza natural e pela criação extensiva".
Na nota, o Ministério termina ressaltando que a maior parte do rebanho bovino nacional e dos frigoríficos que exportam é da região Centro-Sul. As regiões Norte e Nordeste não exportam.
Apartheid
A fonte do jornal afirma ter encontrado no Brasil condições de trabalhadores semelhantes às piores cenas do apartheid. O fazendeiro afirmou ainda ao diário britânico que sua conclusão é de que há uma relação entre escravidão, uso de áreas de floresta e a carne que entra na Grã-Bretanha.
Na última década, os fiscais do trabalho encontraram no Brasil mais de 17 mil trabalhadores escravos. Desses, 12,4 mil foram localizados nos últimos três anos.
Fonte: Agência Brasil