A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) não está satisfeita com a investigação sobre a escuta ilegal na Rede Gazeta, no Espírito Santo. Segundo a FENAJ, "vão acabar culpando o mordomo". A polícia do Espírito Santo apontou como responsável pelo crime, um funcionário da empresa "Vivo" que teria incluído, por equívoco, o número da redação na relação de telefones grampeados.
Vivo, mas nem tanto
Ao confundir, na digitação, os números das linhas da empresa Gazeta com a empresa supostamente ligada ao acusado da morte do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, o digitador teria induzido as autoridades ao erro. "A conclusão do inquérito é absurda", afirma a Federação. Segundo a entidade, documentos provam que os responsáveis pela escuta ilegal tinham pleno conhecimento que o telefone era da Rede Gazeta.
Para a diretoria do Sindicato, o resultado desse inquérito não responde a nenhuma das questões levantadas em 9 de dezembro, quando foi feita a denúncia de escuta ilegal: quem mandou grampear os jornalistas da Gazeta e por quê? “Os jornalistas e a sociedade têm o direito de saber quem patrocinou essa escuta ilegal e os órgãos competentes têm a obrigação de punir quem se colocou acima da lei”, enfatiza Suzana Tatagiba, presidente do Sindicato.
Em nota oficial distribuída na semana passada à população e assinada conjuntamente com a FENAJ, o Sindicato manifesta o inconformismo dos profissionais de imprensa e das suas entidades filiadas frente à ausência de responsabilização dos agentes públicos envolvidos na criminosa interceptação telefônica que vitimou jornalistas e suas fontes de informação.
Segundo o documento, um mês após a denúncia do “grampo” a falta de respostas plausíveis é responsável pela manutenção de um quadro de incertezas, próprio de um ambiente onde existe o temor quanto à utilização corriqueira de métodos escusos por meio dos quais o Estado procura obter informações da sociedade. “A ausência de esclarecimentos convincentes que apontem de forma definitiva para a autoria e a punição dos crimes cometidos, seja no âmbito do Executivo ou do Judiciário, longe de representar a superação do problema, apenas evidencia o sentimento de insegurança”, conclui o documento.
Para a FENAJ e o Sindicato, o cenário atual das apurações do “grampo” apenas reforça o pedido de federalização das investigações feito ao ministro da Justiça e à Procuradora Geral da República, em 15 de dezembro passado e, até o momento, sem respostas.
Fonte: FENAJ