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05/02/2006
Presidente do Sindicato dos Jornalistas da Bahia é demitida
 

A presidente do Sindicatos dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia e diretora da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Kardelícia Mourão Lopes, do Conselho Regional de Farmácia do Estado da Bahia. A decisão foi da diretoria do Conselho e foi efetivada oficialmente na última quarta-feira, dia 1º de fevereiro de 2006. Kardé, como a jornalista é conhecida pelo colegas, era funcionária do Conselho havia 15 anos. A profissional já exerceu diversas diretorias da Fenaj e do Sinjorba.

Repúdio

A demissão de Kardé provocou o imediato repúdio das diretorias dos Sindicatos dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia e do Sindicato dos Trabalhadores em Rádio, TV e Publicidade da Bahia que emitiram Nota Oficial conjunta reproduzida abaixo, na íntegra:

Pela imediata reintegração da presidente do Sinjorba
CONTRA AGRESSÕES AO MOVIMENTO SINDICAL

As Diretorias dos Sindicatos dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia e do Sindicato dos Trabalhadores em Rádio, TV e Publicidade da Bahia repudiam a demissão arbitrária da presidente do Sinjorba e diretora da Federação Nacional dos Jornalistas, Kardelícia Mourão Lopes, do Conselho Regional de Farmácia do Estado da Bahia. A decisão foi da diretoria do Conselho e contraria a Constituição Federal brasileira.

Kardé era funcionária do Conselho havia 15 anos. A profissional é uma das lideranças sindicais mais respeitadas do movimento dos trabalhadores em comunicação, nacionalmente. Diretora da Fenaj e do Sinjorba, por diversas gestões, e prestadora de inúmeros serviços jornalísticos a diversas entidades de trabalhadores, assessora de comunicação da CUT-Bahia, é reconhecida como profissional dedicada à categoria dos farmacêuticos, por várias diretorias que já passaram pelo órgão.

Jornalista há 24 anos, Kardé Mourão chegou à presidência do Sinjorba com o apoio de diversas correntes políticas do movimento sindical baiano e nacional. Assim, consideramos sua demissão uma agressão ao movimento sindical, por estar exercendo seu mandato até julho de 2007, com o direito de estabilidade até julho de 2008. Por isso, repudiamos a atitude dos atuais dirigentes do Conselho Regional de Farmácia do Estado da Bahia, entidade que possui a nobre tarefa de fiscalizar o exercício profissional, inclusive, manter os princípios da garantia ao emprego aos seus representados.

Causa-nos ainda repúdio o fato de o atual presidente do CRF-Bahia, ter sido presidente do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado da Bahia, licenciado recentemente para exercer a presidência do órgão, conhecedor da imunidade sindical da companheira Kardé Mourão.

Desde a posse administrativa da Diretoria do CRF, em 2 de janeiro de 2006, Kardé Mourão vinha sendo ignorada como profissional, apesar de ter solicitado diversas vezes para ser atendida pela presidência da entidade.

Diante do fato, o Sinjorba solicitou, através de ofício, pedido de audiência para propor sua liberação funcional. A Diretoria do Conselho não atendeu à solicitação da Diretoria do Sinjorba, que como o CRF é entidade de trabalhadores. E não respondeu ao pedido de liberação da sua presidente, protocolado em 23 de janeiro de 2006. Ao contrário, respondeu com agressões, inclusive, pessoal ao decidir por sua demissão e ao sugerir sua ida à Justiça para ter sua estabilidade reconhecida.

A demissão de Kardé foi efetivada oficialmente na última quarta-feira, dia 1º de fevereiro de 2006, anteriormente tinha sido comunicada verbalmente na sexta-feira, dia 27 de janeiro. Ao ser questionado pela jornalista, mais uma vez, sobre a confirmação da data da sua homologação para 10 de fevereiro, e nenhuma conversa sobre sua estabilidade, o secretário-geral do CRF desconversou e sugeriu um "acordo financeiro, um preço para ficar bem para todo mundo". O fato foi imediatamente rechaçado por Kardé Mourão, que ressaltou que "nenhum direito estava à venda nem sua dignidade e estabilidade como dirigente sindical". Além disso, informou que não aceitava a sugestão da homologação de sua provável rescisão ser efetivada no Sindicato dos Empregados em Órgão de Classe, como foi proposto por ele, por ser presidente do Sindicato dos Jornalistas e exercer a função profissional no CRF-Bahia.

Diante de tudo isso e consternados pelo fato da agressão ter sido praticada por dirigentes de um órgão de classe de uma categoria irmã, também de trabalhadores, cabe-nos reagir a esta, ou a qualquer outra agressão, solicitando que seja restabelecida a relação de emprego da companheira, com a efetivação da sua reintegração funcional e respeitados todos os vínculos empregatícios e direitos estabelecidos em sua imunidade sindical.

Cabe-nos, ainda, como dirigentes sindicais, solicitar aos demais entidades de trabalhadores, aos demais órgão de classe - defensores da livre ação sindical e do direito ao emprego -, aos jornalistas e radialistas que repudiem e dêem publicidade ao seu manifesto, para que não seja passada em branco tamanha agressão, através de notas à Diretoria do CRF, bem como dêem conhecimento à categoria dos farmacêuticos da agressão que sofremos, e da tentativa de cercear nosso direito ao emprego e nossa imunidade sindical, garantida pela Lei Trabalhista maior, a CLT, conquistada a duras penas ao longo dos anos pelos trabalhadores e entidades sindicais.

Salvador, 3 de fevereiro de 2006
 
Mery Bahia
Primeira Secretária do Sinjorba
 
Edmundo Filho
Coordenador do Sinterpba

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