Barraco! O clima da disputa eleitoral pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo não é dos melhores. Três oficiais de justiça estiveram ontem, quinta-feira (20/04), na sede da entidade para retirar a listagem dos associados com dados cadastrais como telefone, endereço etc. Eles cumpriam determinação judicial concedida à Chapa 2, que determinava o fornecimento da lista completa. Os oficiais acabaram dando voz de prisão ao vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Fred Ghedini.
Veja abaixo, em itálico, o relato de Fred Ghedini divulgado pelo site do Sindicato:
Recebi voz de prisão por não ter conseguido cumprir ordem judicial
Nos últimos minutos da quinta-feira, 20, recebi de uma oficial de justiça ordem de prisão por não ter fornecido a "listagem impressa com todos os jornalistas sindicalizados, divididos por regional ou cidade, contendo nome, endereço completo, telefone, correio eletrônico (se houver) e local de trabalho".
Desde às 18h25, quando chegaram à sede do Sindicato três oficiais de Justiça, portando um mandado judicial com medida cautelar, acompanhados por Pedro Pomar e outros integrantes da Chapa 2 com seu advogado, até praticamente às 23 horas, tentamos contado com o funcionário que tem a senha e que conhece o software do banco de dados do Sindicato. Não tendo conseguido este contato, depois que os próprios oficiais de justiça fizeram algumas tentativas infrutíferas de entrar no sistema, acabei recebendo a voz de prisão.
Lá fomos todos para a sede da Polícia Federal de São Paulo, na Lapa, onde foi feito um Termo Circunstanciado com o relato dos acontecimentos dados pelos três oficiais de Justiça e por mim. Eram três horas da madrugada de hoje (21/4), quando deixamos o prédio da PF.
Estavam comigo, além do advogado que acompanha o pleito pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, Jefferson Martins de Oliveira, o diretor de finanças da Justa Governativa, Rudinaldo Gonçalves, o diretor adjunto de finanças, Franklin Valverde, e colegas da diretoria que encerrou seu mandato no último dia 15 - Mara Ribeiro, Telé Cardim e Guto Camargo - além do jornalista Fernando de Santis, da Secretaria de Ação Sindical da entidade. E a CPU do computador operado pelo funcionário do SJSP contendo os dados cadastrais requeridos pelo mandado, para demonstrar cabalmente ao juiz Samir Soubhia, da 22ª Vara do Trabalho de São Paulo, que tínhamos efetivamente a intenção de respeitar o mandado por ele expedido.
Como deixei claro no depoimento prestado na PF, se não atendi a ordem judicial, foi por completa impossibilidade de fazêlo: não tenho a senha e não sei operar o banco de dados que guarda os nomes, endereços, telefones e outros itens do cadastro dos nossos associados.
É verdade que já havíamos entregado à Comissão Eleitoral que dirige o pleito no SJSP e à própria Chapa 2, parecer de autoria da Coordenadora do Departamento Jurídico do Sindicato, advogada Silvia Neli, segundo o qual a Constituição Federal não nos permite liberar dados pessoais de associados a terceiros. Mas, também temos plena consciência que uma ordem judicial deve ser cumprida, sem delongas. Se não pudemos fazê-lo, foi porque os oficiais de justiça chegaram ao Sindicato após o horário de trabalho, quando o funcionário responsável pelo cadastro já havia ido embora. Além disso, não conseguimos localizá-lo posteriormente, após várias tentativas.
Aí está a razão pela qual declarei, em meu depoimento na PF, que entendia ser indevida a voz de prisão que me foi dada pela oficial de Justiça.
Fred Ghedini, presidente da Junta Governativa do SJSP.
As eleições para Diretoria, o Conselho Fiscal e outros órgãos diretivos do Sindicato de São Paulo começam na terça-feira (25/04) e serão encerradas na quinta (27/04). Duas chapas disputam as eleições: Sindicato Forte (Chapa 1) e Sindicato é prá lutar (Chapa 2).