Amanhã é o “Dia Mundial da Liberdade de Imprensa”. Durante uma pesquisa em jornais brasileiros dos idos de 1952, um colega descobriu uma verdadeira ‘cruzada pela Liberdade de Imprensa’. Na época, os jornais teciam críticas e mais críticas contra o então deputado Dario de Barros, autor de um projeto de lei que estabelecia um piso salarial para os jornalistas. "Uma intervenção do Estado na economia”, bradavam os veículos que viam no projeto um verdadeiro atentado à sagrada Liberdade de Imprensa.
Não é de hoje que a Liberdade de Imprensa é profanada e utilizada para combater avanços e a luta pela dignidade dos jornalistas brasileiros. Recentemente, a proposta de criação de um Conselho Federal dos Jornalistas foi severamente criticada. A principal razão? A “defesa da Liberdade de Imprensa”, tal qual nos idos de 1952. De lá para cá, parece que pouca coisa mudou.
Em uma enquete realizada pelo “O Jornalista”, na qual perguntamos: “Na sua opinião, a Liberdade de Imprensa no Brasil é confundida com a liberdade de empresa?”, mais de 90% dos votantes disseram que sim.
Sem dignidade profissional não pode existir liberdade de imprensa
Se por um lado, o jornalista que não defende a liberdade de imprensa não pode ser considerado um jornalista de verdade, por outro a defesa da liberdade de imprensa não pode continuar sendo profanada e utilizada para defesa de interesses menores ou do lucro fácil, proveniente da desvalorização dos profissionais de imprensa.
Chega de ataques contra a Liberdade de Imprensa. Chega de utilizar a Liberdade de Imprensa para barrar a dignidade profissional dos jornalistas brasileiros. Afinal, a liberdade de imprensa não é propriedade privada de ninguém, mas uma conquista das sociedades democráticas.