*Vitor Ribeiro
O cidadão simples não consegue entender. Como alguém pode ser julgado e condenado por assassinato e ainda sair livre, leve e solto pelas ruas do País? A resposta é simples: a Justiça quando tarda é falha. O nosso judiciário está tão lento, que corre o risco de ser ultrapassado por uma lesma paralítica. Sem falar que a lentidão não é nenhuma garantia contra erros.
Democracia ameaçada
Processos do século passado se amontoam sem julgamento, nas instâncias do judiciário brasileiro. A culpa não é dos juízes, que se esforçam e trabalham duro. A informatização pode até ajudar, mas não trará celeridade à nossa Justiça. É preciso simplificar a legislação e limitar os infinitos recursos. Uma tarefa que cabe aos políticos, mais ocupados com compras superfaturadas de ambulâncias e outras falcatruas.
O caso Pimenta Neves é emblemático, mas é apenas a pontinha do iceberg tenebroso que ameaça o sistema democrático tupiniquim. Como dizer que estamos em pleno estado de direito se uma simples pendenga judicial pode demorar várias décadas e um assassino confesso pode morrer de velhice até que sua prisão seja decretada?
Espantalho de investimentos
Quem terá coragem de investir em um país onde o desrespeito às leis e aos contratos levam décadas para serem julgados, onde os criminosos não vão para cadeia, mesmo após serem julgados, porque podem esperar por anos em liberdade a análise de inúmeros recursos?
A população brasileira começa a perceber que ou o judiciário brasileiro sai do século passado ou condenará o País ao atraso ou à barbárie, assassinando pelas costas nossa democracia tupiniquim.
*Vitor Ribeiro é jornalista. Artigo publicado originalmente no Portal Politic