Em debate sobre "Ética nos Meios de Comunicação" promovido ontem, pelo Conselho de Comunicação Social, o professor de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina Francisco Karam defendeu a regulamentação dos dispositivos constitucionais que possibilitam o controle social sobre eventuais irregularidades ou abusos cometidos por veículos de comunicação.
Entre os dispositivos, o professor citou o que garante o direito de resposta e a regionalização da produção jornalística. "Essas matérias poderiam ser incluídas em uma nova Lei de Imprensa que definisse com clareza as punições para quem infringir as boas regras do jornalismo", declarou.
De acordo com Karam, as punições deveriam ser baseadas em ações sociais, excluindo-se a aplicação de multas ou detenção. "Está sendo criada uma indústria de multas. Alguns escritórios de advocacia fazem recortes de jornais só para descobrir matérias que podem sustentar ação judicial contra os jornalistas", declarou.
O professor alertou para a possibilidade de a mídia brasileira atingir "o ponto de não-retorno do cinismo, da violência e do narcisismo". Essa tendência, afirmou Karam, é motivada pelo que ele chamou de "espetacularização" do noticiário centrado na publicação de denúncias: "Devemos lembrar que jornalismo não é só denúncia, mas também prestação de serviços."
Fonte: Agência Câmara