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14/05/2006
A Guerra nos Porões: Lula acusa Veja de podridão
 

A revista "VEJA" desta semana, na matéria intitulada "A Guerra nos Porões", divulgou uma lista de autoridades públicas com supostas contas secretas em paraísos fiscais, uma das quais seria o próprio Lula. O presidente reagiu e acusou a revista de ter praticado "crime" e de ter chegado ao "limite da podridão".

Durante viagem à Viena (Áustria), Lula chamou o jornalista que escreveu o texto de "bandido, mau caráter, malfeitor e mentiroso", mas ele não especificou a quem estava se referindo. A reportagem foi escrita por Marcio Aith. Já a entrevista de Dantas foi concedida a Diogo Mainardi, que sempre afirma que não é jornalista.

A reação do presidente

Questionado sobre a denúncia, Lula respondeu:

"A Veja não fez uma denúncia. Fez uma mentira. Se tivessem me avisado antes que eu tinha 38 mil euros, eu teria comprado um presente para dona Marisa. Fico sabendo quando vou embora, pô", ironizou.

Depois atacou: "Vamos ser francos agora. Alguns jornalistas há já algum tempo estão merecendo o prêmio Nobel de irresponsabilidade. Eu só posso considerar isso um crime praticado por um jornalista ou por uma revista. Não posso comparar isso a jornalismo. Sinceramente, é de uma leviandade, de uma grosseria. Se um ser humano comum não pode admitir, quanto mais um presidente da República.

Acho que, quando as pessoas têm o poder de escrever alguma coisa, aumenta a responsabilidade. Acho de uma total irresponsabilidade você escrever. Vocês sabem o que esse jornalista que estou citando tem feito neste país ao longo destes últimos meses. Não acredito que, na revista "Veja", tenha uma única pessoa que tenha 10% da dignidade da minha história de campanha.

"Não posso admitir isso. Não posso. É uma ofensa ao presidente da República, é uma ofensa ao povo brasileiro. Essa prática de jornalismo não leva a lugar nenhum".

"Acho uma insanidade. A "Veja" vem assim há algum tempo. Não é de hoje, não, mas acho que ela chegou ao limite da podridão da imprensa. Chegou ao limite. Chegou ao limite. Não sei se o jornalista que escreve uma matéria daquelas tem a dignidade de dizer que é jornalista. Poderia dizer que é bandido, mau caráter, malfeitor, mentiroso. É até constrangedor para um presidente da República saber que tem uma mentira dessa grosseria numa revista que deveria respeitar os seus leitores, [que] não merecem a quantidade de mentiras que a "Veja" tem publicado".

Diante da reação do presidente Lula, VEJA respondeu:

1) O presidente  Lula não leu e não gostou do que não leu. Ainda assim reagiu intempestivamente à reportagem de VEJA. Insultou jornalistas e a publicação. É uma atitude imprópria para um presidente da República. É imperioso ler antes de criticar.

2) VEJA chegou ao posto de mais respeitada e lida revista brasileira e quarta revista semanal de informações do mundo pela qualidade de suas reportagens.

3)  Houvesse o presidente  Lula lido a reportagem, teria percebido que se trata de um trabalho de investigação sobre o banqueiro Daniel Dantas, com o qual seu governo mantém uma relação tão conflituosa quanto incestuosa -- relação que vem sendo objeto de reportagens de diversos veículos de comunicação.

4) O presidente disse que o autor da reportagem poderia ser chamado de "bandido e malfeitor". Disso Lula entende. Nada menos do que 40 de seus companheiros mais próximos foram descritos pelo procurador-geral da República como uma "quadrilha".

5) A reportagem em questão é fruto de seis meses de investigação. A divulgação do resultado do trabalho de apuração, como a própria reportagem ressalta, foi feita justamente para evitar o uso das supostas contas como elemento de chantagem.

6) A revista, na reportagem, não afirma que a conta bancária atribuída ao presidente Lula é verdadeira. Também não diz que é falsa, por não dispor de meios suficientes para fazê-lo

7) Para concluir, VEJA reafirma seu compromisso com os leitores e com o Brasil de prosseguir em sua tarefa de fiscalizar o poder em todas as suas esferas, para impedir que "sofisticadas organizações criminosas", ainda nas palavras do procurador-geral da República, continuem a corroer a democracia brasileira,

Eurípedes Alcântara
Diretor de Redação
VEJA

PF instaurará inquérito

Veja abaixo Nota À Imprensa divulgada pela Polícia Federal:

"A Revista VEJA desta semana, na matéria intitulada "A Guerra nos Porões", divulgou lista de autoridades públicas com supostas contas secretas em paraísos fiscais, uma das quais seria em nome do Diretor-Geral da Polícia Federal. A reportagem atribuiu ao senhor Daniel Dantas, do Banco Opportunity, a contratação de "espiões estrangeiros" que teriam montado dossiês de investigações financeiras clandestinas no exterior.

A Polícia Federal esclarece que na data de 04/11/2005, a Direção Geral do DPF, por meio de correspondência interna, já alertara aos setores competentes desta corporação, sobre comentários de origem não identificada dando conta que estaria em curso uma ação ardilosa para atribuir falsamente a integrantes do atual governo a titularidade de recursos financeiros ilegais mantidos fora do Brasil, sendo um dos alvos o próprio Diretor-Geral desta organização policial.

O alerta do referido dirigente solicitava ao mesmo tempo que as autoridades policiais competentes adotassem as medidas necessárias para a investigação reservada dos fatos, tendo naquela oportunidade o Diretor-Geral do DPF, para maior agilidade da apuração, autorizado a todos, de forma expressa, o acesso ao seu sigilo bancário e fiscal, no Brasil ou no exterior. A despeito da investigação ainda não ter sido concluída, permanece em vigor a ordem de amplo acesso às suas declarações de rendimentos e a quaisquer outras informações bancárias e financeiras.

Agora, a divulgação da Revista VEJA, veio comprovar a autoria da trama criminosa, arquitetada e levada a efeito por um grupo de pessoas com histórico de envolvimento em delitos de violação de sigilo, divulgação de segredo, interceptação telefônica ilegal, corrupção e formação de quadrilha, apurados pela própria Polícia Federal na chamada Operação Chacal, em 2004, que resultou em Ações Penais propostas pelo Ministério Público Federal, havendo atualmente dois Processos Criminais em andamento na Justiça Federal - Seção Judiciária em São Paulo - Capital.

Em face ao exposto, o Departamento de Polícia Federal informa que instaurará nesta segunda-feira inquérito policial destinado a investigar em toda a extensão os fatos divulgados na reportagem "A Guerra nos Porões", da Revista VEJA, edição nº 1956, com circulação nacional a partir de 13/05/06, tendo em vista as notícias que evidenciam a produção de dossiês forjados para tentar incriminar falsamente autoridades públicas.

Por oportuno, o Diretor-Geral da Polícia Federal esclarece que seu nome é Paulo Fernando da Costa Lacerda, não apenas Paulo Lacerda, declarando expressamente, para todos os fins, que não tem e jamais teve valores ou bens no exterior, podendo afirmar que nunca realizou operação bancária fora do nosso país, não tendo enviado, depositado ou recebido recurso desta natureza, em qualquer época, sendo, portanto, uma fraude a existência de suposta conta bancária no estrangeiro.

Ademais, considera que a divulgação da matéria pela Revista VEJA revela não apenas conduta criminosa por parte dos autores da farsa, mas também denota má-fé do jornalista e absoluta irresponsabilidade do veículo de comunicação que deu publicidade aos fatos mentirosos.

Brasília, 14/05/06

Divisão de Comunicação Social
DCS/DPF"

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