Por Sergio Murilo de Andrade - Presidente da FENAJ
A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) voltou a ser vítima de ataques por parte dos donos da mídia, por defender a profissão, seus profissionais, a qualidade do jornalismo e por conseqüência, o direito da sociedade a uma informação ética, responsável e voltada para o interesse público. No campo da comunicação, essas empresas alinham-se à Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), conhecida por disseminar, no continente sul-americano, sua idéia de “liberdade de imprensa”, que nada mais é do que a liberdade de as empresas divulgarem somente o que lhes interessa, muitas vezes distorcendo os fatos ou omitindo informações de relevante interesse público. Insiste também na flexibilização dos contratos de trabalho e na desregulamentação da profissão de jornalista nos países onde há regulamentação, como é o caso do Brasil, e trabalha para impedir a regulamentação onde ela ainda é anseio da categoria.
Ao atacar agressivamente o projeto de lei aprovado pelo Senado que atualiza a regulamentação e a proposta da FENAJ de criação do Conselho Federal dos Jornalistas, os donos da mídia, mais uma vez, tornam pública sua ira pelo fato de os jornalistas brasileiros terem uma profissão regulamentada. Em pleno século 21, querem profissionais mal pagos, intimidados e submissos. Por isso, atacam a FENAJ, federação sindical que, ao lado dos Sindicatos de Jornalistas de todo o País, há décadas luta pela valorização da profissão, por melhores condições de trabalho, pela liberdade de imprensa, pela democratização dos meios de comunicação e da sociedade como um todo.
Por ser de natureza pública, o exercício do jornalismo exige qualificação profissional e democratização no seu acesso. Essa democratização se dá com a oferta - aos veículos de imprensa e aos mais diversos setores - de profissionais formados pela sociedade em suas instituições de ensino superior. Democratizar também é atualizar as funções profissionais conforme as mudanças de caráter técnico, tecnológico, cultural e político operadas na sociedade.
Mesmo sabendo do poder dos donos da mídia, que impede a FENAJ e os Sindicatos dos Jornalistas de se manifestarem para esclarecer a sociedade, não nos intimidaremos. Vamos continuar defendendo a profissão e denunciando a prática de veículos de comunicação como o Estadão, Folha, Globo, Veja e seus assemelhados. Porque sabemos que não é possível avançar no processo de democratização do país sem democratização da comunicação, sem combater a mercantilização da informação e sem a valorização e fortalecimento da profissão e do profissional jornalista.