O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, José Carlos Torves, convocou ontem (26) os profissionais brasileiros a não votarem no candidato Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República, em outubro. A decisão deverá ser acompanhada por dirigentes de outros sindicatos da categoria no País, e é adotada em função do veto do presidente ao Projeto de lei Complementar (PLC 79/2004), que atualizava a regulamentação da profissão de jornalista, trazendo em seu conteúdo a perspectiva de maior valorização e organização da categoria. "Não podemos apoiar um candidato que cede à pressão de entidades representativas dos empresários, como as associações Nacional de Jornais (ANJ), Brasileira de Rádio e Televisão (Abert) e Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), que se manifestaram contra o projeto. O governo não ouviu os jornalistas, a principal categoria de trabalhadores interessada no projeto", explicou Torves.
Para o dirigente, o Governo Lula tem ainda o agravante de ter retirado do Congresso, no ano passado, o Projeto de Lei que criava o Conselho Federal de Jornalismo (CFJ), apresentado pelo próprio Executivo depois de ser elaborado pela Federação Nacional do Jornalistas (FENAJ). Também na ocasião o presidente atendeu ao lobby do empresariado da comunicação. "O presidente ainda aprovou o sistema brasileiro de televisão digital sem debater e consultar os jornalistas. Ouviu novamente apenas o poder midiático", criticou o presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS.
Torves recorda que o PLC 79/2004 foi discutido amplamente e aprovado na Câmara e no Senado, sendo o primeiro projeto com este conteúdo a entrar no Congresso em 1989. Na sua avaliação, "quem é contra este projeto é contra a organização e fortalecimento dos jornalistas". Por isso, o dirigente defende o veto dos profissionais brasileiros ao atual presidente.