A Justiça Comum da Comarca de Ouro Preto (MG) determinou a apreensão da edição 09 da Revista do Observatório Social - que é ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT). A revista, que foi apreendida no último sábado (19), traz uma denúncia sobre a exploração de mão-de-obra infantil na cadeia produtiva do minério de talco utilizado por três multinacionais (Basf, ICI Paints e Faber Castell).
Com texto do jornalista Marques Casara e fotos do repórter fotográfico Sérgio Vignes, a matéria sustenta que "nas minas de talco da cidade histórica de Ouro Preto, cinco anos é a idade em que as crianças começam a carregar pedras e respirar a poeira letal", prática criminosa que fere o Estatuto da Criança e do Adolescente e diversas normas internacionais ratificadas pelo Brasil. Mostra, também, uma série de outras irregularidades cometidas por mineradoras clandestinas a serviço de empresas multinacionais.
A repercussão do texto foi grande, inclusive com citações em veículos da imprensa internacional.
A determinação da juíza Lúcia de Fátima Magalhães Albuquerque Silva, determinando a apreensão da revista e a retirada das fotografias do site do Observatório Social, acatou ação civil pública do Ministério Público do Estado de Minas Gerais contra o jornalista "que publicou matéria forjada expondo indevidamente menores da localidade de Mata dos Palmitos, sub-distrito de Ouro Preto, como explorados nas minas de talco".
O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Sérgio Murillo de Andrade, protestou: "além do absurdo de determinar a apreensão da revista, a decisão da juíza mineira faz um questionamento inaceitável sobre a seriedade da publicação do Observatório Social e a integridade ética de dois respeitados e conceituados jornalistas: Marques Casara e Sérgio Vignes".
O Sindicato de Jornalistas de São Paulo e a FENAJ já manifestaram apoio aos jornalistas e à publicação.
Fonte: FENAJ