Mais um jornalista do jornal cearense O POVO é agredido durante o exercício da profissão. A nova vítima foi Rafael Luís, repórter da Editoria de Esportes, que levou um soco no peito de um assessor da presidência do Ceará Sporting Club, na tarde de sexta-feira (25), nas dependências do clube de futebol.
A violência contra Rafael ocorre menos de um mês depois da violência sofrida pelo repórter-fotográfico Mauri Melo, que foi agredido por seguranças da Companhia Energética do Ceará (Coelce).
Xingamentos
Segundo relato do jornalista agredido, o assessor da presidência do Ceará afirmou que “se saísse matéria, ele (Rafael) ia ver o que ia acontecer”. Ao ser identificado como um dos autores da reportagem “Queda de braço”, divulgada pelo O POVO na última quinta-feira (24), dando conta da disputa entre dirigentes do Ceará - candidatos a deputado federal -, e o atraso de salários de jogadores e funcionários por dois meses e meio, Rafael foi chamado de “safado” repetidas vezes.
Neste momento, o repórter ligou o gravador. O assessor teria então tomado o equipamento, retirado a fita, guardando-a numa gaveta. Repetindo as agressões verbais - “você merece uma mão de peia” -, em seguida teria desferido um soco no peito do jornalista. Uma pessoa não identificada devolveu o gravador sem a fita.
Ameaças
Ainda conforme relato do jornalista, já do lado de fora do Clube, ele recebeu novas ameaças: “se sair no jornal amanhã (matéria sobre a agressão) você vai ver o que vai acontecer”.
“É um absurdo o Ceará não garantir segurança aos profissionais de imprensa. Se há uma insatisfação com a cobertura, ele deveria pedir direito de resposta, procurar o ombudsman e resolver esse problema direto com o jornal. Mas ele quis resolver comigo na porrada. Que garantia agora terão os repórteres de ir na sede do Ceará para trabalhar?”, questiona Rafael.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) repudiaram publicamente a truculência do assessor da presidência do Ceará, solidarizando-se com o companheiro agredido e colocando as assessorias jurídicas das entidades à disposição do colega para que sejam tomadas as medidas legais cabíveis no sentido de punir com rigor aquele que, mediante o uso da força e da intimidação, tenta impedir o livre exercício profissional.
"É inadmissível que a violência continue a imperar numa sociedade dita civilizada, como forma de calar jornalistas na apuração de fatos e negar ao público o direito à informação. Resta ainda exigir das empresas de comunicação não só a garantia de condições mínimas de segurança para seus trabalhadores, como também o apoio necessário aos profissionais vítimas de violência, o que não vem ocorrendo, principalmente quando as agressões partem de pessoas físicas ou jurídicas ligadas aos interesses econômicos, políticos e particulares destas empresas", afirmaram em nota conjunta o Sindjorce e a FENAJ.