Autora de reportagens que denunciaram as ações criminosas da "Máfia dos Corpos" no Rio de Janeiro, a jornalista Maria Mazzei, repórter do jornal O Dia, vem sofrendo ameaças há mais de três meses. Na semana passada o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro lançou nota pública de solidariedade à colega e encaminhou carta à governadora Rosinha Garotinho solicitando providências.
Em maio deste ano, Maria Mazzei produziu a primeira reportagem denunciando negociações dentro do Instituto Médico-Legal (IML) do Rio de Janeiro para venda de cadáver e documentos falsos de óbito. No flagrante policial duas pessoas foram presas. Em seguida começou o processo de ameaças e intimidações à repórter e seus familiares.
Após novas reportagens sobre as ações da "Máfia dos Corpos" e o suposto envolvimento de policiais, desconhecidos passaram a rondar a casa da jornalista, a abordar seus parentes e a fazer telefonemas anônimos. A partir daí a repórter e seus parentes foram transferidos para local seguro. Mas até o momento a Corregedoria da Polícia Civil não tem informações que levem à prisão dos autores das ameaças.
Para o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro tais ameaças "mais do que intimidar uma trabalhadora, atentam contra a liberdade de imprensa e agridem a democracia". A FENAJ se solidariza com a colega e apóia as ações empreendidas pelo Sindicato. Veja, a seguir, a nota pública e a carta encaminhada pelo SJPMRJ à governadora Rosinha Garotinho.
A sociedade não pode se calar diante de fato tão grave
"Exigimos uma resposta contundente e exemplar para que os jornalistas profissionais possam continuar a cumprir sua função de denunciar os obstáculos enfrentados pela cidadania na construção de tempos mais justos e democráticos. E para que a sociedade brasileira possa acreditar nas instituições mais nobres que sustentam uma democracia, como uma imprensa sem amarras e um poder público eficiente", afirmou a entidade na carta à governadora.
Fonte: FENAJ