O jornal Diário de Cuiabá denuncia que em um ato de truculência e inexperiência por parte da Polícia Federal, uma equipe de reportagem do SBT foi presa na madrugada de ontem (02) no aeroporto Marechal Rondon, acusada de invasão de área privada.
A equipe, composta pelo jornalista Ricardo Martins, o cinegrafista Marcos Xavier e o auxiliar Rubens de Jesus, foi abordada ao filmar as sete pessoas que estavam a bordo do avião Legacy que se chocou com o Boeing da Gol, aeronave que caiu na região de Peixoto de Azevedo, ao norte de Mato Grosso.
O jornalista Ricardo Martins disse que o delegado que fez a abordagem é um dos novatos da PF e que, com sua "inexperiência", fez uma apreensão desnecessária. "Apreenderam a nossa fita e nos ameaçaram de colocar-nos no camburão", reclamou Martins. Apesar de não terem sido levados dentro do camburão, foram no banco de trás da viatura. A equipe do SBT sentiu-se desrespeitada e definiu a ação como truculenta.
Segundo o jornalista, ele estava apenas cumprindo seu papel de cobrindo um fato de interesse nacional. "Uma fonte me avisou que eles estariam aqui de madrugada e nós viemos fazer a matéria", falou. O jornalista diz que o delegado insistiu para que fosse revelada a fonte que forneceu a informação do horário em que os passageiros estariam no aeroporto sob ameaça de prisão, mas ele alegou que só falaria na presença do seu advogado.
Segundo o advogado da Cidade Verde, Ricardo Monteiro, a equipe foi presa por invasão de área restrita da Infraero e a PF quer abrir inquérito para apurar o ocorrido. Monteiro acredita que não há previsão legal para o crime. "É um absurdo. Se as pessoas que estavam nesse jato fossem brasileiras não haveria essa proteção", afirmou Monteiro.
Segundo noticiou o Diário de Cuiabá, além da prisão, a PF apreendeu a fita com as imagens do piloto Joseph Lepore, do co-piloto Jan Palladino e dos passageiros David Rimmer, Henry Yendle, Ralph Michielli, Joe Scharkei e Daniel Bachmann. Eles foram ouvidos, como vítimas do acidente, entre a noite de sábado e a madrugada de ontem pela Polícia Civil, em Cuiabá. A fita já foi devolvida à emissora.
O delegado Piovesano, que abriu o inquérito, segundo o jornalista, não sabia como enquadrar a equipe. Disse que por duas horas fizeram perguntas individuais aos profissionais na tentativa de jogar uns contra os outros. "Eles perguntavam uma coisa para mim e depois para os outros, na tentativa de colocar-nos uns contra os outros", falou Ricardo. A equipe ficou detida de 5h às 7h30.
Fonte: Diário de Cuiabá