Para a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), a cobertura da imprensa sobre as eleições 2006 foi marcada por diversos atentados contra o exercício do Jornalismo. Os conflitos envolveram meios de comunicação, profissionais, candidatos e a justiça eleitoral. Casos gritantes ocorreram no Amapá - onde a FENAJ solicitou providências do TSE -, Paraná, Santa Catarina e Alagoas.
A Federação relata que no Amapá, além de outros profissionais e veículos, a jornalista Alcinéa Maria Cavalcante Costa sofreu penalizações da justiça eleitoral devido a ações movidas pelo senador e candidato reeleito José Sarney (PMDB/AP). Em seu blog, Alcinéa reproduziu informações, charges e capas de veículos de comunicação nacionais de diversas fases da vida política do senador.
A justiça eleitoral as considerou como ofensa à imagem ou honra de Sarney. Em seu relato, Alcinéa relatou a situação de subserviência e medo reinante em veículos e profissionais de imprensa, questionou o comportamento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AP) e expressou preocupação com a segurança de sua vida. Diante de tal relato, a FENAJ encaminhou documento ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, além de manter contato freqüente com o Sindicato dos Jornalistas do Estado e destacar a diretora Carmen Silva para acompanhar o caso.
Quebra de sigilo
No Paraná, a gravidade dos fatos foi gritante. A coligação "Paraná Forte", do governador licenciado e candidato à reeleição Roberto Requião (PMDB/PR), além de pedir ao Ministério Público do Paraná (MP/PR) a quebra de sigilo telefônico de profissionais dos jornais Gazeta do Povo e Folha de São Paulo, tentou, na Justiça Eleitoral impedir a publicação de uma matéria. Felizmente, a justiça negou o pedido, considerando que caracterizava "censura prévia".
O que motivou tais ações foi uma série de reportagens da Gazeta e da Folha sobre a prisão de um policial lotado na Casa Civil - e apontado como estreitamente ligado ao governador Roberto Requião - sob a acusação de fazer escutas telefônicas ilegais.
Intimidação
Já em Balneário Camboriú, a equipe de entrega do jornal Gazeta de Joinville foi abordada no dia 28 de setembro por um grupo de homens que se fizeram passar por policiais e tentaram impedir a distribuição do jornal. Segundo o jornal, o grupo teria sido encabeçado por familiares do senador e candidato a vice-governador Leonel Pavan (PSDB/SC) que estavam descontentes com a manchete de capa do jornal que trazia a foto do senador abraçado com dois supostos traficantes internacionais que estão sendo investigados pela Polícia Federal e pelo FBI.
A equipe do jornal, que registrou a ocorrência na polícia, anotou as placas do veículo que participou do cerco, constando posteriormente que o proprietário era o filho do senador, Leonel Pavan Júnior. Além de ser apontado como sócio dos supostos integrantes do Cartel de Juarez em vários negócios, Leonel Pavan responde a processo no Supremo Tribunal Federal, por fraude em licitações, quando foi prefeito de Balneário Camboriú.
TRE proíbe publicação
Também no dia 28 de setembro, mas em Alagoas, o Tribunal Regional Eleitoral proibiu, até o dia 1º de outubro, a publicação de qualquer matéria, reportagem ou entrevista sobre a morte do tributarista Sílvio Vianna, assassinado a tiros em 1996, no Litoral Norte de Maceió. A censura prévia atendeu a pedido do deputado federal e candidato derrotado ao governo João Lyra (PTB/AL), que é um dos acusados de participação no crime.
O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas, Carlos Roberto Pereira Leite, protestou contra a decisão.
Fonte: FENAJ