Um tiro de fuzil causou a morte de um soldado no Quartel da Polícia do Exército de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, nesta segunda-feira (23). Segundo o Exército, o caso será investigado, pois pode ter sido acidente ou suicídio. Diante do ocorrido, os repórteres fotográficos Adriano Hany e João Carlos Castro tentaram obter algumas imagens por cima do muro do quartel. A tentativa bastou para provocar a ira de um grupo de dez militares, que passou a perseguir os jornalistas.
Hany jogou a máquina fotográfica no carro de reportagem, pediu para o motorista "correr", e fugiu. Castro não teve a mesma sorte. Foi alcançado, dominado, agredido e preso no quartel da PE, segundo informações da Agência Estado.
Nota de Repúdio
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Mato Grosso do Sul (SindJor-MS) emitiu uma Nota de Repúdio. Leia abaixo a íntegra da manifestação da entidade:
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Mato Grosso do Sul (SindJor-MS) vem à público repudiar a atitude do grupo de soldados do Exército lotados no quartel localizado na Rua Joaquim Murtinho, em Campo Grande, que agrediu verbal e até fisicamente os repórteres fotográficos do site Campo Grande News e do jornal Folha do Povo. Os profissionais estavam no cumprimento do seu trabalho, respeitando os limites éticos e legais da atividade para registrar um assunto de relevância pública, mas isso, infelizmente não impediu a ação truculenta dos militares, ocorrida na tarde desta segunda-feira, dia 23 de outubro de 2006, que incluiu até mesmo a invasão da sede do Sindicato dos Agentes Tributários Estaduais (Sindate).
Tal procedimento inevitavelmente nos traz à lembrança um dos períodos mais tristes da história do Brasil, que foi a ditadura que se instalou após o golpe de 1964. Durante mais de 20 anos, a imprensa foi uma das instituições que mais sofreu na pele (literalmente, muitas vezes) a repressão praticada, em diversos episódios comprovados, por integrantes das forças armadas brasileiras. Graças a Deus, o regime de exceção sucumbiu ao clamor popular pela democracia, o que garantiu à sociedade, entre outras conquistas, a sagrada liberdade de imprensa. Esse valor não pode ser vilipendiado por nenhuma espécie de agressão ou censura, bem como a inviolabilidade das entidades que representam trabalhadores, o que nos leva a solidarizar com os companheiros do Sindicato dos Agentes Tributários Estaduais, que tiveram sua sede invadida pelo grupo de soldados.
Com a plena consciência do respeito que o Exército brasileiro merece enquanto instituição responsável pela salvaguarda das nossas fronteiras e pela defesa dos valores da pátria, o Sindjor-MS lamenta profundamente o ocorrido e, na qualidade de entidade política representativa dos profissionais da imprensa no estado de Mato Grosso do Sul, exige uma apuração imediata dos fatos, a identificação dos agressores e a punição exemplar aos culpados, bem como uma retratação à sociedade sul-mato-grossense, que possui nos meios de comunicação um aliado no exercício da cidadania. Caso contrário, a democracia estará seriamente comprometida.
SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS DE MATO GROSSO DO SUL