A revista Veja denuncia supostos abusos cometidos pela Polícia Federal contra repórteres que trabalham na publicação. Segundo material disponível no site de Veja , desde ontem (31), os jornalistas que prestaram depoimento na Polícia Federal em inquérito sobre atos descritos pela revista como "uma operação abafa" sofreram abusos, constrangimentos e ameaças. A denúncia ainda foi lida no plenário do Senado, pelo senador Heráclito Fortes (PFL-PI).
A revista nega qualquer violência física contra os jornalistas, mas alega que os repórteres foram instados a revelar suas fontes e quem fora o editor responsável pela expressão "Operação Abafa", que intitula a matéria.
Outro lado
A Polícia Federal também divulgou uma nota sobre os fatos, alegando que os questionamentos às testemunhas foram feitos "normalmente" e "versaram exclusivamente sobre os fatos constantes da matéria da Veja, como seria cabível em semelhante apuração". Leia a íntegra da Nota:
Polícia Federal divulga Nota à Imprensa
Em virtude de notícias veiculadas a partir de discurso proferido na tribuna do Senado Federal o Departamento de Polícia Federal informa:
1. com o objetivo de investigar possíveis crimes praticados no âmbito da Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo denunciados pela revista Veja na edição nº 1978, ano 39, nº. 41, a Polícia Federal instaurou o inquérito nº 2-4672-Delefaz/SR/DPF/SP e ouviu hoje, 31 de outubro, em São Paulo os jornalistas Marcelo Theodoro Carneiro, Julia Dualibi de Mello Santos e Camila Cardosos Pereira;
2. os depoimentos foram tomados com o acompanhamento da Procuradora da República Elizabeth Mitiko Kobayshi e da advogada da Revista Veja, Ana Rita de Souza Dutra. Estavam presentes ainda o Delegado de Polícia Federal que preside o inquérito e dois Escrivães de Polícia Federal;
3. os questionamentos às testemunhas foram feitos normalmente pelo Delegado e em seguida pela Procuradora da República e versaram exclusivamente sobre os fatos constantes da matéria da Veja, como seria cabível em semelhante apuração;
4. em nenhum momento os repórteres, ou sua advogada, manifestaram às referidas autoridades a contrariedade ou discordância com a condução do depoimento, causando surpresa à este órgão a conotação de suposta arbitrariedade que vem sendo dada ao procedimento em questão;
5. é objetivo do Departamento de Polícia Federal o rápido e total esclarecimento dos fatos relacionados à Operação Sanguessuga e seus desdobramentos;
6. A PF aguarda manifestação formal dos jornalistas para tomar as providências apuratórias cabíveis.
Divisão de Comunicação Social da Polícia Federal