Os poderes Legislativo e Executivo vivem nas manchetes. "Esses caras não dão sossego", reclamou dias atrás o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, diante da perseguição implacável de repórteres. A mesma reclamação não podem jamais fazer os membros do judiciário brasileiro. Sem dúvida nenhuma, o poder mais poupado e menos investigado pela mídia brasileira.
Uma coisa é certa: isto não ocorre por falta de importância, notícias ou influência na vida do cidadão. Talvez só uma tese/pesquisa de doutorado ou psiquiatras expliquem os motivos que colocam o Judiciário fora da pauta.
Judiciário Folgado
Raras são as reportagens que bisbilhotam o dia-a-dia do poder menos transparente da República. Até por sua raridade, vale destaque o trabalho da repórter Aline Pinheiro, da Revista Consultor Jurídico. Em uma reportagem intitulada Judiciário Folgado, Aline revela que para cada dia de trabalho, o Judiciário descansa outro.
A jornalista revelou em seu trabalho, que subtraídos finais de semana, feriados, férias, recessos e outras folgas, sobram apenas seis meses por ano para o Judiciário trabalhar. A constatação é mais alarmante quando se pensa que a Justiça é um direito de todos e que, ao contrário do ditado, tardar significa, muitas vezes, falhar.
No judiciário brasileiro, já são comuns processos do século passado, com décadas e décadas de tramitação e sem nenhuma solução à vista. São recursos e mais recursos, burocracia e mais burocracia e instâncias e mais instâncias. Tudo com influência direta no Custo Brasil e uma verdadeira assombração para os investimentos.
Será que já não está na hora do Judiciário entrar na pauta da imprensa?