O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo informa que foi encaminhada à sua regional em Campinas mais uma denúncia de violência contra jornalistas. Desta vez, o caso ocorreu em Capivari (SP). O repórter Roberto Pazzianotto, do Jornal Dois Pontos, foi ameaçado de morte por um capitão da Polícia Militar, em local público.
O Sindicato além de repudiar o ato de violência, divulgou matéria publicada sobre o episódio no Jornal Dois Pontos e afirmou que irá encaminhar o caso ao comando da Polícia Militar e à Secretaria de Segurança Pública do Estado, para a devida providência.
Leia a matéria divulgada:
Capitão da PM faz ameaça de morte a jornalista de Capivari
"Quatro meses depois de ser transferido de Capivari por comportamento inadequado, o capitão e ex-comandante da PM local, Luis Carlos Ferreira, voltou a arrumar confusão na cidade. Visivelmente alterado, ele entrou em um bar no Centro na noite de quarta-feira passada e ameaçou de morte o repórter Roberto Pazzianotto, do jornal Dois Pontos.
A ameaça aconteceu na noite da última quarta-feira, dia 19, por volta das 23h. O capitão estava em companhia dos ex-policiais Salvador da Santíssima Trinidad e outro identificado apenas como Catarino.
O repórter estava sentado assistindo ao jogo Vasco e Palmeiras, quando os três entraram e começaram a beber no balcão. Ao ver Pazzianotto, o ex-policial Salvador alertou que era ele o autor da matéria sobre a confusão provocada pelo capitão na sede campestre do Capivari Clube.
Na ocasião, o capitão tentou acabar com uma festa no clube, discutiu com seguranças e freqüentadores e precisou ser contido pela polícia. O presidente do clube e sócios registraram um Boletim de Ocorrência e iniciaram um abaixo-assinado pedindo providências. O Dois Pontos publicou matéria sobre o caso e procurou a PM para ouvir a versão do capitão. A corporação não se pronunciou e apenas transferiu o policial.
Após saber que Pazzianoto era repórter do Dois Pontos, Ferreira se aproximou e começou a ofendê-lo. Pazzianotto não respondeu às provocações e isso irritou o capitão, que o ameaçou de morte. Ele disse que em toda a sua carreira havia matado 39 e que Pazzianotto seria a sua vítima de número 40.
"Não consegui matar o Caco Barcellos, pois ele é da Globo. Mas com você vai ser muito mais fácil", disse o policial, se referindo ao repórter e autor do livro "Rota 66", que relata a atividade de policiais assassinos em São Paulo. Dando tapas na mesa e transtornado, o capitão perguntou ainda se o repórter tinha medo da morte e se queria conhecer o céu.
Uma testemunha e outros que estavam no bar garantiram que o capitão estava armado, pois estava sempre com a mão na cintura e com um volume sob a camisa.
Desconfiado de que a testemunha, que estava à mesa junto com o repórter gravava a conversa em um celular, o capitão obrigou-a a entregar o aparelho. Depois de verificar que nada existia, o aparelho foi devolvido.
Foi registrado na Delegacia Central um Boletim de Ocorrência por ameaça e injúria. O Dois Pontos também está levando o caso para a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, para o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo e outras entidades. Não é a primeira vez que um profissional do Dois Pontos sofre ameaças. O editor Marcelo Andriotti também foi ameaçado de morte e agredido em anos anteriores."
Fonte: SJSP