O jornalista Renato Heitor Santoro Moreira recebeu ameaças anônimas depois de produzir uma reportagem sobre poluição na Grande Vitória, a informação é do Sindicato dos Jornalistas no Espírito Santo.A matéria está sendo elaborada há três meses para a Revista da Associação Médica do Espírito Santo (Ames) e apresenta dados de uma pesquisa realizada pelo biólogo e ecologista André Ruschi, em parceria com o Instituto de Física Aplicada da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no período de 1998 a 2002.
Renato diz que na semana passada ele e sua equipe receberam telefonemas anônimos ameaçadores. "A pessoa que ligou disse que era para não publicar a reportagem. Caso isso fosse feito, iríamos ter problemas". Entre outros dados, a pesquisa aponta que são despejados no ar diariamente, por grandes empresas instaladas na Grande Vitória, 250 toneladas de material poluente tóxico.
Este material, diz o estudo, é composto basicamente por gases, que não percebemos, e partículas sólidas, como o famoso pó de minério, que incomoda grande parte dos moradores. Ao todo, são 59 tipos de gases, sendo 28 altamente nocivos. Apesar de ter ficado assustado com as ameaças, o jornalista decidiu fazer a denúncia ao Sindicato e tornar pública a situação.
A Ames, segundo Renato, está tomando providências para tentar descobrir de onde partiram as ameaças e, por enquanto, a publicação da reportagem foi suspensa. A presidente do Sindijornalistas, Suzana Tatagiba, acredita que qualquer ameaça à liberdade de imprensa tem que ser denunciada. "Só assim, colocaremos um fim nesta prática de cerceamento ainda realizada por saudosistas de um tempo de trevas no Brasil, ou seja, pelos filhotes da ditadura".