O suposto assassino do jornalista turco de origem armênia Hrant Dink foi preso e identificado como Ogün Samast, informou hoje (20), a agência de notícias turca "Cihan". A imagem fornecida aos meios de comunicação turcos pelo governador de Istambul, Muammer Güler, ajudou na identificação, e o próprio pai do jovem o denunciou às autoridades, informou o canal de notícias "Kanal A".
Crime chocou o mundo

Hrant Dink, 53 anos, jornalista de origem armênia e diretor do jornal semanal Agos foi assassinado a tiros na sexta-feira (19), no bairro de Osmanbey, em Istambul. Dink escrevia também no jornal esquerdista Birgün e era considerado o intelectual mais importante da comunidade armênia na Turquia. Ele defendia uma maior democratização do país.
Algumas reportagens de Dink sobre o genocídio armênio geraram o ódio de grupos mais nacionalistas do país. O porta-voz da redação do Agos, Aydin Engin, disse à imprensa turca que o clima de "linchamento" em relação àqueles que ousavam falar sobre o genocídio cometido pelo Império Otomano - que antecedeu o Estado turco - contra os armênios teria contribuído para o crime.
O advogado do jornalista assassinado, Erdal Dogan, disse que Dink era freqüentemente ameaçado de morte há dois anos e meio, inclusive pelo mafioso Veli Küçük.
Um dia depois do crime, a imprensa turca homenageou o jornalista. "Hrant Dink é a Turquia", afirmou a manchete do diário Milliyet. "O assassino é um traidor do país", estampou outro periódico, o Hurriyet.
Autoridades turcas prometeram transparência na apuração, e o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan entrou pelo menos três vezes em rede nacional de televisão para falar sobre o crime. "As balas disparadas contra Hrant Dink atingiram a todos nós", disse ele.
Após o crime, a reação dos organismos internacionais de defesa dos jornalistas foi imediata. Todos profundamente chocados cobraram das autoridades locais uma ação determinante para elucidar o brutal assassinato. Cerca de 8 mil manifestantes convocados pelos jornalistas foram às ruas de Istambul participar de um protesto pela morte de Dink.
Fonte: Agências e organismos internacionais de defesa dos jornalistas