Começou hoje (8), o 1º Fórum Nacional de TVs Públicas, em Brasília. O evento que irá até a próxima sexta-feira (11), reúne geradores e programadores de TV Públicas, representantes das agências reguladoras do cinema e das telecomunicações, de universidades, organizações da sociedade civil e do governo federal. Participam das plenárias representantes de emissoras públicas estrangeiras como a BBC, do Reino Unido, NHK, do Japão, e a RTP, de Portugal.
Na abertura do evento, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, defendeu que o fortalecimento da TV pública deve ser acompanhado por inclusão digital. Segundo ele, a programação das emissoras públicas será construída em parceria com os telespectadores. Para isso, o governo deverá investir na inclusão digital para que a interação se concretize.

Brasília - Os ministros Franklin Martins, da Comunicação Social, e Gilberto Gil, da Cultura, em entrevista coletiva após abertura do Fórum Nacional de TVs Públicas Foto: Antonio Cruz/ABr
Na opinião de Gilberto Gil, a TV pública deve ser uma forma de entretenimento inteligente para a população. "A TV pública deve buscar capacitar e ser uma das grandes formas do entretenimento no Brasil, entreter sem deixar de ser inteligente e sem perde suas finalidades próprias."
Para o pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) Laurindo Leal Filho, fundador e membro da organização não-governamental Tver, voltada para o acompanhamento da qualidade da televisão brasileira, a televisão pública tem uma missão importante: formar a consciência crítica do telespectador brasileiro.
Segundo Laurindo, o Fórum representa a primeira oportunidade para que seja discutido o papel social da televisão pública. "Em muitos países da Europa, a TV pública, controlada pela sociedade e com interferência mínima do governo, é uma realidade estabelecida, mas o Brasil ainda está começando a dar passos nessa área", ressalta. O professor da USP acredita que o começo tardio representa uma oportunidade para o país construir um modelo que represente uma alternativa às emissoras comerciais.
Na avaliação de Laurindo, a tevê pública nacional está cada vez mais próxima de virar realidade. No entanto, ele observa que, para ser bem-sucedido, o novo sistema público de comunicação precisará se diferenciar das emissoras comerciais. "A identidade tem de ser construída por critérios próprios, não pela mera competição com os canais privados", comenta.
O conteúdo diferenciado, diz o professor, deve buscar a audiência pela qualidade. Esse processo, afirma ele, trará reflexos positivos para toda a programação da televisão aberta. "Ao longo do tempo, o público vai amadurecer e exigir que as emissoras privadas também melhorem o nível da programação", aposta.
Fonte: Agência Brasil