O Jornalista encaminhou dez perguntas às duas chapas que disputarão as próximas eleições da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ). As perguntas enviadas à Chapa 1 - “Orgulho de ser FENAJ” e Chapa 2 – “Luta FENAJ”, versam sobre a obrigatoriedade do diploma, precarização, diferenças entre as duas concorrentes, violência contra jornalistas, Conselho Federal de Jornalismo, estágio, ampliação do mercado de trabalho, setor público, postura em relação ao governo Lula e à chapa adversária.
A quarta pergunta versou sobre a violência contra jornalistas.
Pergunta 4 - Violência
O Brasil está prestes a ingressar na deplorável lista dos dez países mais violentos do mundo para os jornalistas. Como conter esta violência e combater a impunidade, além da emissão das tradicionais e freqüentes notas de repúdio?
Resposta da Chapa 2 – “Luta FENAJ”
Entendemos que é preciso, antes de mais nada, mudar profundamente o modelo econômico, e com isso atacar as raízes da desigualdade social. O Brasil cresce a taxas inferiores às dos outros países da América Latina e, neste ritmo, não conseguirá, por exemplo, combater o desemprego de maneira satisfatória. Além disso, se o país não fizer investimentos maciços em políticas públicas, não será possível tirar dezenas de milhões de brasileiros da linha da miséria e da pobreza, e tampouco atacar as causas do apartheid social brasileiro, que desembocou nos exasperantes índices de criminalidade e violência que tomaram conta da maioria das nossas cidades.
A desagregação social provocada por anos de políticas neoliberais está agora cobrando seu preço. A crise da segurança pública evidenciou o fato de que o enxugamento e o enfraquecimento do setor público, pregados e praticados por governos neoliberais à frente do país e de vários Estados da federação, propiciaram o crescimento do crime organizado e o aumento da corrupção.
Medidas urgentes, como a necessidade de aparelhar as forças policiais (inclusive a polícia científica) e ampliar significativamente o número de juízes, entre outras, exigem a revogação de leis aprovadas no governo FHC e mantidas no governo Lula, feitas sob medida exclusivamente para beneficiar banqueiros.
Resposta da Chapa 1 - “Orgulho de ser FENAJ”
Primeiramente é preciso dizer que as tradicionais e freqüentes notas de repúdio à violência contra os jornalistas são importantes instrumentos políticos utilizados pela FENAJ e pelos Sindicatos dos Jornalistas para alertar a sociedade para este grave problema. Mas é claro que precisamos avançar.
Desde o bárbaro assassinato do jornalista da Rede Globo, Tim Lopes, ocorrido há cinco anos, a FENAJ e os Sindicatos têm insistido que é preciso criar mecanismos de proteção dos profissionais. Defendemos a criação de Comissões de Segurança nas redações para avaliação das situações de risco e definição das medidas necessárias para a segurança dos jornalistas em coberturas consideradas perigosas.
Infelizmente, as empresas empregadoras continuam agindo como se não tivessem qualquer responsabilidade pela violência que vitima muitos jornalistas. Não aceitam nem mesmo a criação das Comissões de Segurança.
No âmbito da Justiça, propomos a federalização dos crimes contra jornalistas como medida para evitar a impunidade. Muitos são os casos de violência que envolvem autoridades municipais ou estaduais. Frequentemente, os fatos não são devidamente apurados, por ingerências políticas, o que permite a impunidade. A chapa Orgulho de ser FENAJ acredita que, ficando a cargo da Polícia Federal a apuração dos fatos e da Justiça Federal o julgamento dos envolvidos, haverá mais punição dos culpados.
No âmbito da organização sindical, propomos o fortalecimento da Campanha pela Liberdade de Imprensa e contra a Violência, conduzida pela FENAJ em parceria com os Sindicatos. Faz parte da campanha a elaboração e divulgação do relatório anual dos casos de violência contra os jornalistas. Esse relatório também é encaminhado às autoridades competentes com pedidos de apuração dos casos e punição dos culpados.
Por último defendemos também a criação de um fundo para auxiliar jornalistas em situação de risco. Esse fundo seria administrado pela Comissão de Direitos Humanos e pela Liberdade de Imprensa da FENAJ e serviria, por exemplo, para tirar um jornalista ameaçado de sua cidade e garantir sua sobrevivência e de sua família por um período.