Durante dez dias, O Jornalista publicou as respostas das perguntas formuladas às duas chapas que disputarão as próximas eleições da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ). As perguntas enviadas à Chapa 1 - “Orgulho de ser FENAJ” e Chapa 2 – “Luta FENAJ”, versaram sobre a obrigatoriedade do diploma, precarização, diferenças entre as duas concorrentes, violência contra jornalistas, Conselho Federal de Jornalismo, estágio, ampliação do mercado de trabalho, setor público, postura em relação ao governo Lula e à chapa adversária.
A cada dia abordamos um tema. Hoje, chegamos ao final da série de perguntas. Esperamos ter colaborado para o fortalecimento da nossa Federação e ampliação do debate democrático entre os colegas, para que nos próximos dias 16, 17 e 18 de julho possamos todos votar conscientes, para que depois possamos acompanhar, apoiar, lutar juntos, criticar e cobrar dos eleitos.

A última pergunta da série versou sobre o governo Lula. A cada dia publicamos alternadamente as respostas das duas chapas. Como a primeira pergunta foi inicialmente respondida pela Chapa 1, a última o será pela Chapa 2.
Pergunta 10 - Qual deve ser o posicionamento da FENAJ em relação ao governo Lula?
Resposta da Chapa 2 – “Luta FENAJ”
Defendemos o princípio histórico do sindicalismo cutista: entidades sindicais devem ser independentes diante de patrões e de governos. Acreditamos também que a Fenaj, enquanto entidade representante de uma categoria de trabalhadores da comunicação, tem o papel fundamental de divulgar para a sociedade suas posições em defesa de direitos conquistados com tanta luta pela classe trabalhadora brasileira, e que hoje estão sob forte ataque: direito à Carteira Assinada, direito de Greve, direito à Previdência Social e tantos outros.
A Fenaj deve lutar para que o governo amplie direitos da população trabalhadora, e não o contrário. Por isso mesmo, a Fenaj deverá cobrar exaustivamente deste governo políticas e ações que busquem resolver efetivamente os agudos problemas da nossa sociedade, em especial políticas e ações que beneficiem a classe trabalhadora, da qual somos parte. Não custa lembrar: a democratização da comunicação social é parte essencial deste elenco de ações.
Resposta da Chapa 1 - “Orgulho de ser FENAJ”
A futura diretoria da FENAJ, que tomará posse no início de agosto, deve manter em relação ao governo Lula a mesma posição adotada pela atual diretoria: independência crítica. Apesar de reconhecer a importância histórica de um governo liderado por um trabalhador, a FENAJ, em vários momentos, apontou as definições estratégicas equivocadas deste governo e os graves erros pontuais cometidos.
A FENAJ criticou e critica a política econômica adotada pelo governo, por sua ineficiência em promover o desenvolvimento nacional, em gerar empregos e distribuir renda. Se houve uma justificativa inicial para essa política – a chamada credibilidade internacional – esse momento já foi superado sem que o povo brasileiro visse as transformações que pediu ao eleger um igual.
No campo da comunicação, a crítica da FENAJ foi ainda mais contundente. A entidade máxima de representação dos jornalistas foi uma das primeiras a denunciar a capitulação do governo Lula aos interesses privados dos donos da mídia em questões estratégicas, como a implantação da TV e do rádio digital.
A FENAJ denunciou o tratamento repressivo dado pelo governo às rádios comunitárias, com fechamento de emissoras em todo o país. Também criticou a falta de vontade política (ou de coragem) do governo em formular e implementar políticas públicas de comunicação.
No que diz respeito aos jornalistas, a FENAJ bradou (mas infelizmente os veículos de comunicação nunca lhe dão espaço) que nenhum outro governo maltratou tanto a categoria como o governo Lula. Depois de um afago – o envio do projeto de criação do CFJ ao Congresso – o governo fez de tudo para atender os interesses dos donos da mídia. Rifou o CFJ; vetou o projeto de lei que atualizava nossa regulamentação profissional; tirou as pequenas empresas jornalísticas do Simples e, mais recentemente, discute internamente como permitir a pejotização dos jornalistas, radialistas e artistas.
Portanto, para cumprir seu papel de defender os interesses dos trabalhadores jornalistas e de atuar como protagonista nos debates sobre a comunicação e o jornalismo, a FENAJ não pode perder sua capacidade crítica.