O repórter-fotográfico Rogério Cassimiro, da Folha de S.Paulo, foi preso, algemado, colocado em um veículo da Polícia Militar e conduzido ao 27º Distrito Policial, em Campo Belo (SP), ontem pela manhã, sob a alegação de que violara o cordão de isolamento no galpão da TAM, "atrapalhando os serviços do Corpo de Bombeiros" no local.
Segundo o jornal, o delegado de plantão, Paulo Sérgio Silva, chegou a dar voz de prisão à advogada da Folha, Marina Dias Werneck de Souza, sob a alegação de que ela cometera "crime de desacato", enquanto acompanhava o depoimento do jornalista. A advogada pedira ao policial que constasse do termo circunstanciado (registro oficial da ocorrência) algumas afirmações prestadas pelo jornalista.
"O episódio constitui uma violência à liberdade de imprensa e ao direito de defesa. O jornalista foi injustamente atingido no exercício da profissão e uma advogada foi destratada por um delegado que agiu com truculência", diz José Carlos Dias, do escritório Dias e Carvalho Filho, do qual a advogada é uma das sócias. Ex-ministro da Justiça, Dias é pai da advogada. Ele informou que vai entrar com uma representação contra o delegado.
Marina diz que foi desrespeitada, como advogada, pela autoridade policial. "O delegado me desrespeitou no exercício da profissão. Eu estava apenas garantindo profissionalmente o direito de defesa do jornalista", diz.
No boletim emitido pela delegacia, consta que o fotógrafo foi "por várias vezes solicitado a se retirar do local, posto que estava atrapalhando os serviços do Corpo de Bombeiros, além de colocar em risco sua própria vida". Ainda segundo o relato policial, como o jornalista "não obedecia à ordem de retirada", foi "necessário o uso de força moderada para retirá-lo daquele local".
A assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública informou ao jornal que, "segundo o delegado titular do 27º DP, Antonio Carlos Menezes Barbosa, vai ser aberto um inquérito policial para apurar o extravio do celular do fotógrafo e também para apurar se houve abuso dos policiais durante a elaboração do termo circunstanciado na delegacia".
Fonte: Folha de S.Paulo