No último fim de semana, cerca de 300 Kuikuros da Aldeia Ipatse, no Xingu, fizeram uma festa para, entre outros motivos, assistir ao primeiro episódio da série de documentários Xingu – A Terra Ameaçada, do jornalista Washington Novaes, que já havia retratado a região em uma série de 11 documentários veiculada em 1985. Novaes voltou ao Xingu em 2005, para documentar as mudanças nos grupos de cinco povos que havia visitado – Kuikuro, Mentuktire, Panará (antes conhecidos como Kren-Akrore), Waurá e Yawalapiti.
Foto: Pedro Biondi/ABr

Em seu vídeo, com veiculação prevista para domingo (29), às 18h00, na TV Cultura de São Paulo, Novaes mostra a chegada da TV, das motos, dos tratores e dos poços artesianos. Contrapõe, também, o Kuarup de 2006 ao que havia presenciado em 1984, para as gravações de Xingu - A Terra Mágica. Na edição do ano passado, a festa de celebração dos mortos teve presença maciça de jornalistas, turistas e até lutadores trazidos pela rede pública britânica BBC para enfrentar os guerreiros locais na luta huka-huka.
Foto: Pedro Biondi/ABr

Jornal Nacional
O jornalista conta o que constatou: “Eles ainda têm aquele tempo que escorre mais devagar, mas com muitas transformações”. Em várias aldeias, diz, quase todas as casas têm antena parabólica, e quando têm combustível para o gerador os moradores vêem Jornal Nacional, novela, jogo de futebol... Além disso, acrescenta, os jovens gostam de dançar forró e de jogar bola.
O poder da grana
O jornalista Washington Novaes destaca a circulação de dinheiro nas comunidades, como o grande fator de perturbação no cotidiano do Parque Indígena do Xingu. Ele alerta que existe um conflito enunciado, ainda sem desfecho, entre as novas e as antigas gerações. Para ter as tecnologias e produtos dos brancos, foi preciso produzir dinheiro – fazendo apresentações fora, recebendo direitos de filmagem ou vendendo adornos.
“Os velhos dizem que os jovens não querem mais viver do modo tradicional. Querem passar o tempo inteiro fazendo artesanato, e não vão, por exemplo, cultivar as roças para produzir comida. E não querem aprender os cantos, as danças relacionadas ao mundo dos espíritos”, observa. Ele lembra também que, agora, muitos velhos recebem aposentadoria.
Fonte: Agência Brasil