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16/09/2007
Modelo de rádio digital gera preocupação
 

Pesquisadores e professores da área de Comunicação alertaram na última semana para os rumos dos testes com rádio digital. Em carta divulgada pela internet, eles enumeram sete “preocupações” com o processo de escolha do novo modelo, entre elas a falta de metodologia nos testes e a baixa eficiência de transmissão no padrão In Band - On Channel (Iboc), defendido pela Associação Brasileira de Emissores de Rádio e Televisão (Abert).

Em relação aos testes, além de cobrar a padronização de critérios, os professores afirmam que não estão sendo testados recursos de interatividade e mecanismos que favoreçam a integração do rádio com outras mídias. “O que pode significar a perda da possibilidade de intensificar a participação dos ouvintes na programação das emissoras”, diz o documento.

Os professores e pesquisadores acompanham, voluntariamente, testes de emissoras cadastradas à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Há dois anos, cerca de 20 emissoras testam dois modelos de rádio digital, o norte-americano Iboc e o Digital Radio Mondiale (DRM). As experiências devem subsidiar a escolha do modelo a ser adotado no Brasil. No entanto, até agora, a Anatel disse não ter elementos para realizar uma análise técnicas dos modelos.

No documento, também não faltaram críticas ao modelo norte-americano. “Os pesquisadores observaram problemas de interrupções abruptas do sinal digital em locais onde havia fios de alta tensão (rede elétrica), prédios e túneis, forçando o aparelho receptor a transmitir no modelo analógico, com atraso que pode chegar a oito segundos”, diz o texto.

O professor Luiz Artur Ferraretto, da Universidade Luterana do Brasil, explica que com esse atraso, chamado de delay, o brasileiro pode até ter que mudar o hábito de assistir jogos de futebol acompanhado de seus aparelhos de rádios.

“Nos testes realizados, esse delay significa que o sujeito verá o gol na frente dele no estádio e ouvirá o grito de gol depois de seis ou 12 segundos”, disse. Para ele, não existe a necessidade de migrar de tecnologia antes de ter certeza da qualidade do novos sistema.

Os pesquisadores também destacaram que devido aos custos do processo de digitalização, rádios educativas e comunitárias podem ter dificuldades para fazer a transição, já que 50% das emissores provavelmente terão que trocar os transmissores a válvula por modulares e adequar a produção radiofônica, com a troca de equipamentos do estúdio, por exemplo.

Outra preocupação diz respeito ao modelo proprietário de tecnologia do Iboc. Diferentemente do sistema europeu (DRM), o norte-americano pode obrigar os radiodifusores a pagarem royalties à empresa Ibiquity, que administra o modelo. A sociedade civil também alerta para os altos custos da digitalização. Porém, o Ministério das Comunicações já sinalizou com financiamento público para a transição.

Fonte: Agência Brasil

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