A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados divulgou hoje uma nota de repúdio ao atentado contra o jornalista Amaury Ribeiro Jr., do Correio Braziliense, ocorrido ontem em Cidade Ocidental (GO), no entorno de Brasília. Autor de reportagens sobre a violência na região, Ribeiro Jr. foi baleado por um jovem encapuzado quando assistia a um telejornal em um bar da cidade. O jornalista foi operado e passa bem. O presidente da comissão, deputado Luiz Couto (PT-PB), deverá visitá-lo ainda hoje.
A nota da comissão, assinada por Couto, classificou o ato como "um atentado contra a liberdade de imprensa, um crime contra a população do entorno, um desafio do crime organizado ao poder público e à sociedade". Na opinião do parlamentar, deve ser analisada a hipótese de que o atentado tenha sido uma reação do crime organizado contra série de reportagens assinadas pelo repórter do Correio.
Segundo a nota, a comissão começou hoje a elaborar um relatório, incluindo a série jornalística, para entregá-lo à Relatoria sobre Execuções Sumárias da Organização das Nações Unidas (ONU), à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (ligada à Organização dos Estados Americanos), ao Ministério da Justiça e aos governos do DF, de Goiás e de Minas Gerais.
Descaso
Luiz Couto lembra ainda que as proximidades de Brasília são há muito tempo "cenário de violência e impunidade", mas que sua população só em lembrada nos períodos pré-eleitorais. "O abandono só é rompido quando, diante de um crime com repercussão maior, anunciam-se medidas que nunca são implementadas", lamenta Luiz Couto.
Segundo ele, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias vem solicitando providências contra a violência no entorno desde 1995. O Relatório sobre Execuções Sumárias, publicado em 2003 pela comissão, aponta a região do Entorno do DF como uma das mais violentas do Brasil. O documento foi encaminhado na época para a ONU.
Para combater a criminalidade no entorno, Luiz Couto sugere ações de capacitação e reciclagem de policiais e de fortalecimento de ouvidorias e corregedorias. Além disso, ele recomenda a implementação de projetos sociais que ofereçam alternativas aos jovens da região.
Fonte: Agência Câmara