Todo cuidado é pouco. Começou segunda-feira (15), e termina no próximo sábado o segundo treinamento de segurança para jornalistas que atuam em áreas de risco. O objetivo é ensinar técnicas de proteção e normas de procedimento para socorrer um companheiro ferido em caso de acidente. Com a participação de 50 profissionais, o curso se realiza em uma unidade do Exército no Rio de Janeiro.
O treinamento é uma iniciativa do Sindicato dos Jornalistas, em parceria com os sindicatos patronais das empresas de rádio, televisão, jornais e revistas.
No curso os colegas recebem ensinamento prático em ambientes que simulam a realidade na cobertura de situações de violência e conflito. As aulas são ministradas por um instrutor militar que vem do Afeganistão, onde trabalha para a TOR (sigla em inglês de Treinamento de Recursos em Operações), empresa de segurança inglesa especializada em treinar profissionais que trabalham em áreas conflagradas por conflitos armados no mundo.
Os jornalistas aprendem a planejar reportagens em áreas de conflito e são instruídos sobre normas de procedimento em situações de fogo cruzado e de ameaça, em conflitos urbanos, como greves e invasões, e em casos de seqüestro, além de receberem aulas de direção defensiva e primeiros socorros e participarem de demonstração de tiros.
Profissionais que convivem de perto com a violência também proferem palestras para os participantes. Entre os palestrantes está o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, co-roteirista do filme Tropa de Elite. A repórter do jornal O Globo Cristiane Cássia contará a experiência de ter participado há um ano do primeiro treinamento, realizado pelo Insi (sigla em inglês de Instituto Internacional para a Segurança da Imprensa), organização não-governamental de naturalidade belga.
Também falarão a jornalista Anabela Paiva e a cientista social Silvia Ramos, autoras do livro Mídia e Violência – novas tendências na cobertura de criminalidade e segurança no Brasil, com lançamento marcado para o dia 29 de outubro.
Segundo dados do Insi, somente este ano já morreram cerca de 150 jornalistas em todo o mundo. “Isso demonstra que não basta conhecer o lugar onde se trabalha. É necessário saber se proteger de maneira adequada. O jornalista deve tomar consciência da importância de se proteger”, diz o coordenador do treinamento, o jornalista carioca Marcelo Moreira, que é conselheiro do Insi.
O treinamento integra uma série de iniciativas propostas pelo Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro para dar mais segurança às equipes de jornalismo em situações e áreas de risco.
Os debates sobre o tema se intensificaram a partir da morte do jornalista Tim Lopes, assassinado por traficantes há cinco anos. Com a realização de seminários e fóruns, iniciou-se a discussão concreta sobre a necessidade de aumentar a segurança, como o uso de coletes à prova de bala e de carros de reportagem blindados, entre outros itens.
Fonte: Sindicato dos Jornalistas do Município do RJ