A Diretoria do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal repudiou a iniciativa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Alberto Menezes Direito, de determinar a abertura de um processo administrativo contra o servidor-jornalista Fabrício Azevedo.
"Segundo notícia publicada pelo jornal O Globo, na edição do último domingo (04/11), a determinação de abertura do processo que poderá resultar na absurda punição de Azevedo ocorreu porque o jornalista supostamente teria usado o termo "psiu" para chamar a atenção do magistrado após uma sessão de julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Direito fazia parte dessa Corte antes de ser nomeado para o STF, em setembro deste ano", relatou o Sindicato.
Segundo o Sindicato, o jornalista esclareceu em depoimento à comissão interna encarregada de processá-lo que, em nenhum momento, teve a intenção de tratar o ministro de maneira descortês. Diferentemente, queria apenas tirar uma dúvida sobre um processo que acabara de ser julgado e que seria objeto de notícia a ser por ele redigida para publicação na página do STJ na internet".
A entidade informou que o servidor é concursado do STJ. "Azevedo declarou ainda à comissão que, diante da recusa do ministro em atendê-lo, foi ao gabinete de Direito para pedir cópia do voto proferido na sessão. No entanto, um assessor se negou a fornecer cópia do documento", afirmou o Sindicato do Distrito Federal
A Diretoria do Sindicato considerou a atitude do ministro autoritária e incompatível com a serenidade e a prudência exigidas de um integrante da mais alta Corte de Justiça do País. "Sobretudo quando se sabe que, na função de ministro do Supremo, cabe também a ele zelar pela proteção de direitos fundamentais garantidos em nossa Constituição, como a liberdade de imprensa e a publicidade dos atos judiciais", ressaltou a entidade em nota de repúdio.