O dia em que o Diário do Nordeste parou para protestar. A ordem era para não descer, mas a determinação da chefia do jornal do Diário do Nordeste foi solenemente ignorada pelos jornalistas que participaram, na tarde da última terça-feira (20/11), da manifestação da campanha salarial organizada pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce). Os colegas paralisaram a redação e desceram para o protesto.
Bom humor contra a usura
Com muito bom humor, os colegas protestaram contra o reajuste de 4,82% oferecido pela empresa. Os jornalistas do Diário permaneceram por quase uma hora na calçada, onde ocorreu a apresentação teatral “Senzala Moderna”, roteiro produzido pela Trupe Tramas de Teatro inspirado na pesquisa do Dieese que revelou a dura realidade de 93 profissionais do Diário e do jornal O Povo.

“O senhor quer me dar um aumento de R$ 1,75? Nesse diabo de jornal quanto mais eu trabalho mais lisa eu fico. As coisas para nós jornalistas estão é feias”, reclamava Quitéria Estupefalda para o dono do jornal. “Feias? As coisas estão muito é lindas. Eu continuo lhe explorando, o meu lucro a cada hora que passa está aumentando e eu estou muito feliz. Se tiver achando ruim é só pegar o beco. Tá assim de currículo de jornalistas querendo a sua vaga”, retrucava o patrão. “Trabalhar aqui todo mundo quer, mas com o aumento que o senhor quer me dar eu só compro um picolé”, reclamava Quitéria.
300 Picolés
Durante o protesto, os jornalistas consumiram nada menos que 300 picolés oferecidos pelo Sindjorce. “O sindicato já está pagando para os jornalistas o reajuste oferecido pelas empresas”, brincou a presidente Déborah Lima.
Profissionais das emissoras que compõem o Sistema Verdes Mares - TV Verdes Mares (afiliada da Globo), Rádio Verdes Mares e TV Diário -, que têm data-base em janeiro, também se integraram à manifestação dos colegas de impresso.
Campanha Eficaz
A manifestação do Diário foi a terceira da campanha salarial dos jornalistas de jornais e revistas do Ceará, que têm data-base em setembro. A campanha já começou ousada, com uma carreata até a Praia do Futuro em pleno domingo de sol (23/09).
Buzinaço, apitaço, bandeiraço, panfletagem, colagem de adesivos nos carros, distribuição de praguinhas, banda de música, boneco gigante, queima de fogos e até um trio elétrico chamaram a atenção dos banhistas e transeuntes para a luta dos jornalistas. A manifestação começou às 10h00 na Praça da Imprensa e prosseguiu até o fim da tarde, com show de Diego e Banda na barraca de praia Marear. Tudo filmado por turistas que passavam o fim de semana em Fortaleza.
A segunda manifestação ocorreu no pátio do jornal O Povo, na tarde do dia 8 de novembro. A redação ficou vazia por quase uma hora. Editores, repórteres, diagramadores, ilustradores e repórteres-fotográficos pararam para protestar contra o reajuste oferecido pelos patrões. Quatro carros de som, um abacaxi gigante (simbolizando a proposta patronal) e a adesão do movimento sindical marcaram o protesto.
A manifestação no jornal O Povo repercutiu imediatamente na mesa de negociação da campanha salarial. No dia seguinte, as empresas ofereceram o percentual da inflação (4,82%).
“Chegamos ao índice da inflação, agora só temos a ganhar. A nossa vitória depende exclusivamente da mobilização da nossa categoria. E prova disso os jornalistas do Ceará já deram de sobra”, avalia a presidente do Sindjorce, Déborah Lima.
A próxima rodada de negociação está agendada para o dia 5 de dezembro, às 14h30min, na DRT.
Fonte: Sindjorce