2007 ainda não acabou, mas o número de jornalistas assassinados e mortos devido ao exercício profissional já é o maior da década. O relatório do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), com sede em Nova York (EUA), recém divulgado afirma que desde 1994, não se via um ano tão difícil e sangrento para o exercício do jornalismo no mundo. Já foram confirmadas a perda de 64 colegas e a morte de outros 22 continuam sob investigação, para determinar se eles foram mortos devido ao exercício profissional.
Os números de 2007 só são superados pelos registrados em 1994, quando 66 jornalistas tiveram a vida ceifada, muitos deles nos conflitos na Argélia, Bôsnia e Ruanda.
Pentacampeão
Pelo quinto ano consecutivo, o Iraque conquistou o nefasto posto de país mais mortífero para a imprensa: 31 perderam a vida exercendo a profissão, quase a metade do total de mortos no ano.

Vice-Campeão
A Somália foi o segundo país no ranking de assassinatos, com sete mortos. A violência aterradora no Iraque tem desviado a atenção da Somália, onde a violência contra jornalistas é crescente.
Além do Iraque e Somália, o CPJ registrou assassinatos no Sri Lanka, Paquistão, Afeganistão, Eritréia, Mianmar, Haiti, Honduras, Quirguístão, Nepal, Palestina, Paraguai, Peru, Rússia, Turquia, Estados Unidos e Zimbábue.
Alguns avanços
Apesar dos tristes números, O CPJ anunciou também dois dados positivos: na Colômbia, pela primeira vez em mais de 15 anos, não ocorreram assassinatos de jornalistas. As Filipinas também ficaram fora dos registros pela primeira vez, desde 1999.
Assassinatos representam 70%
Segundo o CPJ, o assassinato foi a principal causa das mortes. Igual aos anos anteriores, de cada dez mortes, sete foram assassinatos. As outras três foram provocadas pela cobertura de combates ou outras situações perigosas.
Em novembro passado, o CPJ anunciou uma campanha global contra a impunidade para buscar justiça no assassinatos dos jornalistas. A campanha está concentrada nas Filipinas e Rússia, dois dos países mais mortíferos para a imprensa nos últimos 15 anos.
A pesar de condenações recentes em ambos os países, a taxa de impunidade em cada um se manteve em aproximadamente 90%. "Os assassinatos não resolvidos propagam o medo, a autocensura e deixam vunerável o trabalho da imprensa", afirmou o diretor executido do CPJ, Joel Simon.
Fonte: CPJ