Jornalistas que acompanhavam a campanha do candidato a prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), receberam ameaças de supostos traficantes armados na Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte, na manhã de hoje (26). Os colegas foram abordados depois que um grupo, formado por repórteres e fotógrafos dos jornais "O Globo", "Jornal do Brasil" e "O Dia", distanciou-se do senador. A Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, é o local onde o jornalista Tim Lopes, da TV Globo, foi torturado e executado, há seis anos.
Os supostos traficantes alegaram que viram fotos serem tiradas da comunidade e exigiram que elas fossem deletadas das câmeras digitais. A exigência foi feita por três homens com os rostos cobertos, que receberam cobertura de uma moto com outros dois bandidos, um deles armado com um fuzil. Um deles disse que, se fosse fotografado, iria "queimar todo mundo".
Ameaçados, os colegas apagaram as imagens. Mas, algumas delas foram recuperadas e pelo menos um jornal carioca promete publicá-las na edição de amanhã (27).
Ao ser informado do ocorrido, o candidato decidiu encerrar a caminhada. A pedido dos jornalistas, ele aguardou a chegada dos carros da imprensa antes de deixar a favela. O direito de ir e vir hoje no Rio não é respeitado", disse Crivella. Segundo o candidato, é necessário "pedir autorização" para "entrar em determinados lugares" da cidade. "
Governo do Estado do Rio de Janeiro divulga nota:
"O direito de ir e vir de quaisquer candidatos e da imprensa é sagrado. Fatos como esse, gravíssimo, tornam evidente a necessidade de combate sem tréguas à criminalidade. As ações do Estado visam justamente a acabar com áreas em que criminosos se acham donos das comunidades. O Poder do Estado tem que ser a referência para as comunidades - e não os bandidos. O combate ao crime no Rio tem que ser incessante e firme para garantir o processo democrático e a livre circulação de toda a população - o que inclui, naturalmente, candidatos e jornalistas no exercício de suas funções.
Toda vez que o livre jornalismo é impedido de atuar é sinal de um Estado de Exceção. Portanto, garantir segurança aos cidadãos é, em última análise, garantir o Estado de Direito Democrático."
Redação com informação dos veículos onde os colegas ameaçados trabalham.