O Sindicato dos Jornalistas do Pará emitiu hoje (27/01), uma edição extra de seu Boletim Informativo para explicar sua posição diante do episódio envolvendo o jornalista Lúcio Flávio Pinto. Segundo a entidade, a Rede Brasil Amazônia (Grupo RBA) manipula informações para enfraquecer a categoria dos jornalistas.
Leia abaixo o Boletim Informativo recebido pelo "O Jornalista":
RBA manipula informações para enfraquecer a categoria de jornalistas
Os jornalistas paraenses estão acompanhando as acusações que o Grupo Rede Brasil Amazônia (Grupo RBA) vem sistematicamente fazendo contra a atual diretoria do SINJOR-PA, através de seus programas de TV, de rádio e do jornal Diário do Pará, envolvendo a agressão física praticada pelo diretor-redator das Organizações Romulo Maiorana (ORM), Ronaldo Maiorana, contra o editor do Jornal Pessoal, Lúcio Flávio Pinto, na sexta-feira, 21 de janeiro.
Entre as acusações a de que o SINJOR foi "omisso" em relação à violência praticada contra Lúcio Flávio Pinto, o que tem sido usado como "gancho" do Grupo RBA, pertencente à família Barbalho, para tentar desmoralizar a diretoria do Sindicato dos Jornalistas do Pará perante a própria categoria e à sociedade. O que o Grupo RBA deixa de dizer é o seguinte:
- No dia 21, a presidente do SINJOR, Carmen Silva, foi procurada pelo Diário do Pará, por volta das 14h, para que emitisse uma nota oficial sobre a agressão sofrida por Lúcio Flávio Pinto. Naquele momento, o nome do agressor não foi informado;
- A diretoria do SINJOR tomou conhecimento da violência praticada por Ronaldo Maiorana contra o editor do Jornal Pessoal através de terceiros, no mesmo dia;
- Em nenhum momento, o SINJOR foi procurado por Lúcio Flávio Pinto. Ainda assim, o sindicato tentou insistentemente entrar em contato com o jornalista, em vão;
- No dia seguinte à agressão, em reunião ordinária, a diretoria do SINJOR deliberou a nota oficial, que foi enviada, no mesmo dia, à Imprensa local e nacional, a sindicatos e aos associados;
- Na nota, a diretoria do SINJOR não só denuncia como condena todo e qualquer tipo de violência contra os jornalistas, usando o princípio da igualdade para defender a categoria, não importando se o jornalista é recém-formado ou renomado. E, em sendo assim, não poderia ignorar eventos de natureza sindical, até porque esse é um dos papéis que a Constituição lhe confere;
- Ironicamente, o mesmo Grupo RBA, que acusa o SINJOR de omissão, de posse da nota oficial deixou de publicá-la, na íntegra, na edição de domingo, dia 23, quando foram dedicadas duas páginas ao caso. Chamou atenção o fato de que a nota somente foi publicada integralmente quatro dias após ter sido enviada pelo sindicato ao Diário do Pará, quando as opiniões do jornalista agredido sobre o posicionamento do SINJOR foram levadas a público.
Realidade dos fatos
Desde que assumiu o SINJOR, a atual diretoria tem trabalhado para que, no Pará, as empresas de Comunicação respeitem os direitos trabalhistas dos jornalistas. Direitos que vinham sendo sonegados tanto pelas ORM quanto pelo Grupo RBA, os maiores do Estado. Por força das ações do SINJOR, ambas as empresas vêm sendo obrigadas pela Delegacia Regional do Trabalho a respeitar os direitos básicos dos trabalhadores da informação.
Apenas para citar três exemplos: no final de 2004, as ORM começaram a pagar as horas extras aos jornalistas do seu quadro. No Grupo RBA, o reajuste salarial - de 17% - só foi possível por força de dissídio coletivo ajuizado pelo SINJOR. Mas antes disso, a DRT-PA, após fiscalização requerida pelo sindicato, aplicou oito autuações no Diário do Pará, forçando o jornal a assinar a carteira de trabalho de jornalistas, o que acabou por beneficiar outros trabalhadores da empresa.
Coincidência ou não, a partir desses fatos bastante relevantes, o Grupo RBA deixou de repassar para o SINJOR o desconto da contribuição sindical. Isso, no período de março a julho de 2004. No mês seguinte, o Diário do Pará voltou a proceder o repasse normalmente por imposição da Cláusula 24 da Sentença Normativa do Dissídio Coletivo, expedida pelo TRT-8ª Região, em junho daquele ano.
Como parte do pacote de retaliações ao SINJOR, o Diário do Pará chegou a impedir a afixação de cartazes informativos do sindicato nas redações, e, numa atitude extremista, proibiu a entrada de diretores do SINJOR, no dia da eleição da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em julho de 2004. Aliás, o Diário do Pará não publicou uma única linha sobre o pleito, apesar de terem sido eleitas duas paraenses (Carmen Silva e Cláudia Melo) para a diretoria plena da Federação, numa demonstração de que o SINJOR é hoje respeitado em nível nacional.
Ainda nesse período, o SINJOR foi alvo de críticas unilaterais por parte do Diário do Pará e, de fato, no dia 5 de janeiro deste ano o jornal publicou matéria com foto da presidente do Sindicato sobre a tramitação, na Assembléia Legislativa, do projeto de lei do Executivo de reestruturação da Funtelpa. Perguntamos: a publicação da matéria se deu por esta ser de relevante interesse dos jornalistas ou por se tratar de interesse político do Grupo RBA?
Para refletir
- Por que a nota oficial do SINJOR passou a ser o foco dos noticiários nos veículos do Grupo RBA, mais até que a própria agressão sofrida por Lúcio Flávio Pinto? O que há por trás dos sucessivos ataques ao sindicato?
- O Grupo RBA reagiria com tanta violência contra uma nota oficial do SINJOR se o acusado pela agressão a um jornalista não pertencesse à família Maiorana?
- O Grupo RBA afirmaria à sociedade que toda essa repercussão não tem a ver com a briga entre as famílias Barbalho e Maiorana pelo poder no Pará?
- O Grupo RBA vai respeitar a imparcialidade e a ética, basilares do jornalismo, nas matérias que porventura publicar sobre as eleições do SINJOR, a serem realizadas neste ano?
- Por que o Diário do Pará não teve o cuidado de checar, como manda o bom jornalismo, a informação de que a presidente do SINJOR foi expulsa da TV Liberal, quando o episódio ocorrido, na realidade, envolveu a vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Publicidade do Pará, por ocasião das eleições da Fenaj?
-Por que o Diário do Pará manipula tendenciosamente informações, ao dizer que a maioria da diretoria do SINJOR é funcionária das ORM, quando estão nesta situação apenas 6 diretores da entidade, enquanto os outros 15 atuam nas redações do Diário do Pará e da Funtelpa, nas assessorias de Imprensa dos Poderes Legislativo e Executivo e sindical, assim como há dois aposentados?
- Por que o Grupo RBA não repercute a violência contra os jornalistas na sua rotina, da mesma forma como vem fazendo agora?
- O que levou o editor do Jornal Pessoal, respeitado e reconhecido por sua coragem e imparcialidade, a tachar literalmente todos os diretores do SINJOR de "oportunistas", quando esses mesmos diretores dedicam-se voluntariamente a acabar com a exploração a que são submetidos os jornalistas não mais no período ditatorial, mas em pleno terceiro milênio?
- Na dita indignação de Lúcio Flávio Pinto, que o levou até mesmo a duvidar do profissionalismo de jornalistas que estão há anos no mercado e hoje ocupam cargos de diretoria do SINJOR, ele não teria da mesma forma agredido seriamente a integridade moral destes jornalistas de forma tão violenta quanto a sofrida por ele?
- O que levou Lúcio Flávio Pinto a virar sua metralhadora contra a diretoria do SINJOR, eleita legitimamente pela grande maioria dos seus associados, quando ele próprio sempre fez questão de se manter distante não só do sindicato mas das discussões de interesse da categoria?
- Quem são os aliados do Grupo RBA? São pessoas como a ex-presidente do SINJOR, Caetana Ferreira? Justo ela que afundou o sindicato em dívidas trabalhistas, previdenciárias e comerciais, que chegam pelo menos a R$ 75 mil e que incluíram o nome do SINJOR na lista de devedores do Serasa, Receita Federal, Procuradoria da Receita Nacional, INSS e FGTS (ver quadro)? Justo Caetana Ferreira, que, quando presidente do SINJOR, nunca reajustou os salários dos próprios funcionários do sindicato?
Compromisso com a verdade
O Sindicato dos Jornalistas no Estado do Pará reafirma que repudia todo tipo de violência, em especial contra os jornalistas. Da mesma forma, o SINJOR lamenta as agressões verbais que a presidente do SINJOR, Carmen Silva, sofre diariamente nos programas Barra Pesada e Metendo Bronca. O SINJOR não vai aceitar ser usado por qualquer grupo de comunicação, seja ORM, RBA ou outro, e muito menos se sujeitar a interesses pessoais. O nosso único compromisso é com os jornalistas, com a defesa da liberdade de informação e de expressão. Continuaremos, sim, a defender a categoria mesmo que isso desagrade os donos da mídia.